O Novo Paraná e seu transporte público modelo de 30 anos atrás

 Tarifa a 2,50 em Curitiba – Charge de Carlos Latuff
 

Para curitibanos, transporte coletivo vai de mal a pior

Uma pesquisa pioneira feita por estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) comprovou o que os curitibanos sentem diariamente na pele: o transporte coletivo de Curitiba vai de mal a pior. Formandos de Engenharia Civil entrevistaram 2.036 usuários de ônibus das linhas de biarticulados da Capital e 75% dos entrevistados responderam que o serviço é insatisfatório, com classificações que vão do regular ao péssimo. Apenas 23% disseram que o sistema é bom.

A pesquisa chegou à conclusão que o sistema, considerado modelo a nível nacional, está defasado e precisa de correções. “Se não ocorrerem mudanças, o sistema permanecerá estagnado, causando sérios danos aos usuários, uma vez que o transporte público afeta diretamente a qualidade de vida da população”, concluíram os formandos em Engenharia Civil.

A professora orientadora da pesquisa critica a maneira como foram conduzidas as políticas voltadas ao transporte coletivo em Curitiba. Segundo ela, na atual situação o transporte público não atende a real demanda dos passageiros. “O modelo, quando foi criado, foi extraordinário. Em todos os lugares se falava do transporte de Curitiba e ainda hoje ele é bem visto por pessoas de fora. O problema é que a percepção das pessoas não é essa, o sistema de transporte aqui é ruim. Temos que deixar de lado o título e implementar mudanças. O transporte em Curitiba parou no tempo”, constata Márcia de Andrade Pereira. [Bem Paraná, via David de Carvalho]

Problemas impedem migração de motoristas

 A pesquisa dos estudantes da UFPR constatou ainda que com a atual qualidade de serviço os motoristas não irão migrar para o transporte público, o que deve provocar ainda mais congestionamentos na frota já inchada da Capital – em novembro de 2010, data do último levantamento do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), havia em Curitiba 1,24 milhão de veículos. Segundo os estudantes, apenas com um transporte que atenda a real necessidade dos passageiros “haverá uma migração natural para esse modal, não sendo talvez, nem mesmo necessárias campanhas para isso”.

Um problema na gestão do transporte curitibano, na opinião da professora Márcia de Andrade Pereira, é que os investimentos nos diferentes modais não acontecem na mesma proporção. “Vemos que em algumas avenidas da cidade as vagas de estacionamento são retiradas para ser implantada mais uma pista. Com a atual tarifa, para o usuário sai mais barato fazer os deslocamentos de moto ou de carro. Com isso parecer haver um privilégio de um modal, sem que haja melhoras nas ciclovias, nas calçadas e nos ônibus”, ressalta.

A questão do metrô, muito discutida em Curitiba e sem implantação efetiva, pode não ser a melhor saída para o transporte da cidade, na opinião da especialista. “Ele tem que ser uma alternativa, ele tem que se integrar ao sistema de transporte dando condições ao usuário deixar o carro em casa. Eu acho que as pessoas que trabalham com as políticas de transporte não andam de ônibus, porque a necessidade dos usuários é diferente do que é feito”, opina a professora da UFPR.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s