Hakim Bey e Muammar Khadafi

O regime italiano colonial (e mais tarde fascista) na Líbia foi derrubado por uma ordem neo-sufi, a Sanusi. Subsequentemente – e com a influência de interesses anglo-americanos em petróleo – foi criado um titular dessa Ordem, o rei Idris I. Em 1969, seu regime corrupto foi derrubado num golpe de estado liderado por um jovem oficial, o coronel Khadafi. Era o início de uma revolução que devolveria o poder ao povo líbio em uma estrutura de ‘democracia popular’, mais centrada em comitês populares, congressos, sindicatos etc. do que em uma hierarquia de poder político, militar ou burocrático. Essa estrutura tem muitas semelhanças com o federalismo proudhoniano, o anarco-sindicalismo, o corporativismo e certas idéias de ‘conselhos comunistas’ de 1968. Em tese, ao menos, é um sistema antiautoritário. A única autoridade além da do povo é a do Islã. Mas qual Islã?

Muammar Khadafi nasceu em uma família de tradição Sanusi, foi educado em uma escola primária Sanusi e em um colégio de segundo grau Sanusi. Apesar de sua revolta ter sido contra o alto escalão da Ordem Sanusi (sendo a própria Ordem banida em seguida), Khadafi pode ser claramente visto como um reformista dentro da tradição neo-sufi Sanusi. Na verdade, ele não é apenas um antifundamentalista determinado, mas também um entusiasta do Sufismo (procure as traduções de seus discursos sobre as religiões lançadas pela organização líbia al-Daawa al-Islamia). O Sufismo é estimulado na Líbia, incluindo – como me disseram  – até certas ramificações Sanusi. A estranha filosofia do Livro Verde já foi referida como ‘anarco-sindicalismo islâmico’; quem sabe, ‘anarco-sindicalismo neo-sufi’ possa ser mais preciso. Não sei como essa filosofia funciona na prática e certamente não tenho intenção de soar apologético ou defensivo desta, mas um país que bane a publicidade e o turismo não deve ser merecedor apenas de nossa curiosidade, mas também de nosso respeito!

(As controversas palavras acima constam em um livro de Peter Lamborn Wilson que não tem nada a ver com a Líbia: Chuva de Estrelas – O sonho iniciático no sufismo e taoísmo [1996]. Enquanto isso…)

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