Os radares do Novo Paraná

Em 2009, o deputado estadual Fernando Carli Filho, do Paraná, dirigia seu carro em via pública a mais de 170 Km/h, bêbado e com a carteira cassada. Causou um acidente que matou dois jovens.

Logo após apareceram diversas informações controversas: "sumiram" exames de sangue comprobatórios da embriaguez; e não havia imagem alguma dos 7 radares que cobriam a trajetória do carro. A considerar os radares, o carro não estava lá, apesar dos corpos e destroços.

O nome da empresa concessionária dos radares é Consilux. Ontem o Fantástico divulgou seu nome, dentre outras empresas, como participante de uma grande indústria de multas e propina em licitações. O diretor comercial da empresa comenta: "5% [de propina] que a gente ajusta. Dentro do nosso preço, sem alterar a nossa margem. [Isso] fica por fora" (sic).

Sobre apadrinhados políticos, amigos e afins, o repórter pergunta: Existe alguma maneira de livrar alguém, tirar a multa? O diretor comenta:

Tem, vocês têm. Já fizemos isso inclusive. Mas cara, vira um inferno. (…) Graças a Deus não [ninguém descobriu].

Já o diretor presidente da Consilux, Aldo Vendramin, nega que alguém possa se beneficiar com os radares:

Não, não existe a menor possibilidade. Tecnicamente é impossível você retirar qualquer imagens sem deixar vestígios. As imagens nossas são sequenciais. É impossível você eliminar qualquer uma, excluir qualquer uma delas. Se um município quiser eventualmente fazer qualquer tipo de exclusão de imagens, não sei. Mas nosso sistema não permite isso.

Sobre essa última declaração, a reportagem inteira foi muito curiosa. Em pé, o apresentador da RPC disse: "A prefeitura de Curitiba não quis gravar entrevista. Em nota, a URBS disse que o sistema é seguro e que desconhece maneiras de retirar multas".

Mas no mesmo estúdio, junto com o apresentador, estava o agora governador Beto Richa. Richa é o ex-prefeito de Curitiba e interrompeu o mandato atual para concorrer ao governo do estado. Estava logo ao lado do apresentador, sentado, esperando o momento de comentar sobre as enchentes em Morretes e Antonina.

Curiosamente o apresentador comentou essa reportagem em pé, com o quadro mantido apenas nele. Mas logo após, na reportagem seguinte e na sequência imediata das imagens, virou-se e sentou ao lado de Beto Richa, mudando de assunto.

Cabe notar: quando um repórter deve fazer perguntas? E sob que circunstâncias ele permanece em silêncio?

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2 comentários sobre “Os radares do Novo Paraná

  1. A alta velocidade que carcomia gomos de borracha a cada curva, alimentava o torpor de constatar a velocidade absurda registrada pelo velocímetro de um Passat preto alemão.
    Haveria um conhecimento técnico de que a risca atribuída no asfalto não registraria o disparo da câmara se a velocidade fosse três vezes superior a permitida?
    O fato é que o crash inevitável proporcionou que uma cabeça decapitada acompanhasse com uma proximidade absurda, a avalanche de destroços em um espaço mínimo de cem metros ladeira abaixo.
    Seco foi o vinho tinto vermelho sangue que tingiu o asfalto negro numa triste madrugada de uma quinta-feira de outono.
    O acerto foi o erro fatal. A realidade dói para quem fica. A anestesia é um estado de torpor eterno para quem vai.
    Que a Justiça seja feita e que a ação de um tráfico de influência não interfira no resulto a favor da impunidade de quem tem o poder de absorver as questões de interesse pessoal.

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