Veja e a incrível visita de uma reitora

Jornalistas da Veja encontram uma reitora de Harvard

A entrevista de Veja com a reitora de Harvard, Drew Gilpin Faust, é espantosa. Não propriamente pelo conteúdo, mas por aquilo que a maior revista do Brasil julga nos ensinar. 

Veja descobre na longínqua reitora de Harvard algumas funções da Universidade. Começando pelo fato de que a reitora não é economista, mas historiadora (sacrilégio! ops, ela é de Harvard). A despeito do caráter mercadológico e imediatista de certos discursos atuais (ou grunhidos, diria Saramago), boa parte da Universidade contemporânea preocupa-se com reflexão. E "reflexão" não significa – surpresa da Veja, elemento de polêmica – separação entre teoria e prática, mas simplesmente que não há prática sem teoria e a divisão entre teoria e prática é um mito que hoje depõe muito contra… quem advoga a separação.

Ou, nas palavras da reitora,

No encontro que tive com os reitores brasileiros, ouvi uma frase que resume esse pensamento: a sociedade nos pede soluções para problemas práticos. Mas a universidade não deve se preocupar apenas com o bem estar imediato dos seres humanos, precisa fazer também com que eles sejam sábios. As universidades têm esse propósito humano, histórico, antropológico, que nos faz transcender o momento presente. Não nos preocupamos apenas se nossos alunos terão emprego amanhã. Precisamos garantir que eles tenham conhecimento.

Isso certamente causa impacto na revista, caso consideremos algumas de suas posições mais caras. Mas ainda assim o tom dos entrevistadores é curioso, o velho apelo ao juízo do estrangeiro: – O que vocês podem nos dar? Não respostas, mas "parcerias", diz a reitora; – Temos realmente algo a contribuir com vocês? Certamente, a "diferença" sempre dá algo a nos ensinar, diz ela;  – Nós, brasileiros, erramos em nosso método de avaliação? "Eu não ousaria julgar o processo seletivo das universidades brasileiras". E enfim, contra o brasileiro que diria a mesma tese que a revista pretende colocar como polêmica (A universidade deve se preocupar apenas com a imediatez prática?), ela responde: "Precisamos garantir que eles tenham conhecimento".
 
É como inverter uma passagem de Reivaldo Azemedo. Ele acusava a valorização das origens brasileiras como uma operação emburrecedora de culto a seres superiores, na qual jogamos fora a razão. Em suas palavras,
Eu me aponho é à folclorização de nossas origens para despertar a atenção daquele que, no fundo, consideramos superior, como se não pudéssemos competir com ele no campo da razão e só nos restasse o charme daquela velha picardia e esperteza. Lula transformou esse sentimento em arrogância, que é o complexo de inferioridade na sua fase agressiva. Declarou-se melhor do que os outros e pronto!
Melhor mesmo é tirar os sapatos, submeter-se à revista e ouvir atentamente o discurso.
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2 comentários sobre “Veja e a incrível visita de uma reitora

  1. Meu caro Catatau,

    os “liberais” brasileiros são um “fenômeno” que deve ser estudado pelos cientistas no futuro.

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