Wikileaks, Brasil, Imprensa e liberdade religiosa

 É espantoso o teor do documento vazado (extrato abaixo) sobre as relações entre a embaixada norte-americana e parte da imprensa brasileira. Objetivo: cultivar uma linha de não recriminação contra "difamação de religião", especialmente contra muçulmanos. E vale realçar: a fonte do documento é a embaixada dos EUA.

(…) Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país.

Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. Outra vez, especialistas e funcionários de outros governos e países que apóiem nossa posição a favor de não se punir quem difame religiões garantiriam importante ímpeto aos nossos esforços. (…)

Se os órgãos citados negam isso ou não, surpreende a desenvoltura dos próprios agentes da embaixada. Eles consideram fácil cultivar sua "linha" de intervenção na imprensa brasileira.
 
O que, curiosamente, evoca dois temas bastante citados neste blog. O primeiro é Robert Fisk comentando sobre a política externa norte-americana da segunda metade do século XX, em A Grande Guerra pela Civilização [livro, livrarias]. Fisk recolhe lá diversos relatos (iguais a esse) sobre como a política norte-americana pode apelar internamente ao princípio das liberdades democráticas, porém opondo-se externamente (inclusive com intervenções bélicas) a elas. 
 
O segundo tema são as palavras de Charles Darwin [livro, livrarias] ao passar pelo Brasil. Dizia ele, no longínquo século XIX: "Se um crime, não importa quão grave seja, é cometido por um homem rico, ele logo estará em liberdade. Todo mundo pode ser subornado".
 
***
 
E por falar em política externa: a Líbia tem petróleo; a Costa do Marfim não.
 

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