Novo Paraná: o novo jeito de administrar

Ecoam as palavras de campanha de Beto Richa (governador do PR pelo PSDB): ele prometeu um governo "austero" (sic), essencialmente "técnico" (sic), sem privilégios meramente políticos a aliados e apadrinhados.
 
Prestemos bem atenção: Beto Richa deu ênfase nessas coisas em sua campanha pois, segundo ele, essas marcas diferem radicalmente do antigo governo de Roberto Requião (PMDB). Trata-se de um "novo jeito de administrar" (sic), um "novo Paraná" (sic).
 
Vê-se bem tudo isso nas nomeações: nepotismo cruzado com o filho, nepotismo com a nomeação da esposa e do irmão e, agora, a contratação de um ex-ator de "filme erótico" para direção do IAP.
 
Mais visivelmente nesse ultimo caso, parece que o problema não é propriamente o dado curricular não contabilizado. É o próprio currículo. Antes de virar chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná,
Pagliosa, de 27 anos, atuou em outro filme (de conteúdo religioso), fez um curso técnico na área ambiental, trabalhou em uma ONG e foi estagiário do IAP por oito meses [fonte]
Ou, de acordo com ele mesmo, 
Fiz um curso técnico de gestão ambiental e fui estagiário do IAP. Pude aprender muito naquele período. Também participo de uma ONG que se dedica à proteção do meio ambiente [fonte]
Pagliosa foi nomeado em um cargo técnico-administrativo por indicação política e, em detrimento do corpo técnico do IAP, quem o nomeou considerou suficiente o  currículo acima citado.
 
Austeridade? Técnica? Sem nomeações políticas? "Novo jeito" de governar? Boas perguntas para quem também prometeu diálogo e debate público.
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5 comentários sobre “Novo Paraná: o novo jeito de administrar

  1. É muito pouco o que de fato está aparecendo.
    Tem mais assessor caindo de paraquedas no estado que fuzileiros no dia d, e uma boa parte sequer comparece fisicamente, consta apenas da folha de pagamento.
    O “governador” ainda tem a cara-de-pau de reclamar que o estado não tem dinheiro pra pagar as contas.

  2. Meu caro Catatau,

    acho que podemos tirar daí uma lição mais profunda.

    Quem muda é a sociedade – líderes são simples bandeiras.

    Napoleão nada realizou de notável em seus longos anos de exílio.

    Sinceramente, eu acredito na sinceridade do Sarney.

    Pelo menos “naquele momento”, o Sarney poderia estar sendo profundamente sincero.

    O que ele não teve foi capacidade, ou meios, para realizar seus projetos.

    Ou, sendo mais sincero ainda, a sociedade maranhense é que não estava preparada, ou predisposta, para realizar as tais mudanças.

    Aqui não vai nenhuma simplificação do tipo “jogar a culpa no povo”.

    Mas como que umm povo analfabeto, enfermo, sem perspectivas, etc. poderia se transformar de uma hora para outra?

    A natureza não dá saltos!

    Assim com a Rússia feudal não poderia, de repente, se transformar na sociedade ideal.

    O que aconteceu na Rússia foi uma verdadeira explosão da panela de pressão.

    Assim como já tinha acontecido na França.

    Foi criado uma ambiente tão opressor, tão insuportável, que a sociedade simplesmente “explodiu”.

    Creio que é isso.

    Como dizia o velho e bom Karl Marx, “a sociedade cria os líderes que necessita”.

    No Paraná, ainda há uma boa fatia da sociedade que se beneficia dos “jeitinhos” e não largará o osso tão cedo.

    E como a pressão social social ainda não é excessiva, os “betos richas” continuarão a ter vez.

    Mas de uma maneira geral o Brasil tem avançado muito nos últimos anos.

  3. Obrigado pelo comentário, Patriarca.

    Penso que há uma questão implícita nele: o Brasil avança em seus avanços legais ou materiais? Por exemplo, ele avança com a nova lei seca, o etanol, o aumento do consumo etc.?

    Sob certo contexto, certamente: a revisão da lei, o novo combustível e o aumento do consumo são positivos.

    Sob outro contexto, a revisão da lei não foi determinante sobre sua efetividade; o novo combustível angariou novas especulações sobre a distribuição e logística, mantendo incrivelmente o etanol perto da gasolina; e os novos padrões de consumo hoje colocam diversas questões, como por exemplo se grosso modo o amadurecimento da esfera pública acompanha o bem-estar conquistado na esfera privada.

    Enfim, esses problemas que você levanta tocam sim o post em questão. É curioso lermos ele e depois vermos a propaganda na TV: “não cobramos cargos, cobramos competência”

  4. eu queria saber se algum repórter teve a coragem de fazer essas perguntas diretas p o político?

    RE: Até agora, que eu saiba, NÃO, Rogelia. Nem perguntas, nem que as perguntas sejam efetivamente respondidas (com atos políticos, sindicâncias etc. etc.)

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