Osama ao mar

Mais detalhes no gibi
 
Durante a madrugada pulularam informes de que Obama, quer dizer, Osama, foi morto por "tropas especiais" dos EUA. "Perto de Islamabad", disseram uns.  Bin Laden "estava numa mansão", afirmaram outros. "Uma afronta direta à soberania do Paquistão?", perguntavam alguns. Obama, o presidente, falou ao vivo na Casa Branca, comunicando a morte e a justiça do terrorista. 
 
Disse Obama que "depois de um tiroteio, eles [soldados americanos] mataram Osama bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo".
 
A grande operação se realizou em Abbottabad, cidade próxima a Islamabad e lugar sob controle militar paquistanês direto ou indireto (inclusive com uma academia militar próxima). Nenhum soldado norte-americano morreu, mataram Osama, assumiram "a custódia do corpo" e o levaram de helicóptero.
 
Fizeram isso para mostrar ao mundo algo semelhante às fotos de Che Guevara morto na Bolívia (elas mostram um cadáver), certo? Para ter uma severidade tão grande quanto a de Guantanamo, tomando posse do corpo, circunscrevendo-o nos mínimos detalhes técnicos como fruto da precisão bélica e científica dos EUA, certo? Ou ainda, para mostrar em imagens exaustivas e indubitáveis o trunfo do poder sobre o terrorista, certo?
 
Ou ainda, uma morte dessas, mesmo que não documentada, certamente terá alguma imagem – mesmo proibida – do momento histórico, semelhante às filmagens por celular do enforcamento de Saddam Hussein.
 
Ou outra: lembrando-se das provas "irrefutáveis" uma vez apresentadas por Colin Powell sobre as "armas de destruição em massa", para afastar o fantasma da mentira, governo e exército dos EUA não declarariam apenas  comprovações de exames e multiplicariam as provas visuais da morte, de forma a não deixar qualquer margem de dúvida nem ao mais cético. O governo aprenderia que se a imagem de satélite ou o exame de DNA são precisos, deve-se afastar a impressão de que até um presidente é capaz de mentir, correto?

 

Errado. Numa surpreendente reviravolta, contam que a preocupação pelo corpo se resumia no fim das contas a retirar amostras e dar-lhe um funeral islâmico apropriado, jogando-o logo depois ao mar.
 
Morto ou não, deve aparecer alguma informação mais detalhada do que a imagem do gibi acima. Pois como diz o Dr. House, o noticiário tem dessas coisas: notícia dada, sempre a atração do dia seguinte será um panda dando à luz trigêmeos.
 
***
 
E Robert Fisk se manifestou ainda hoje. O Outras Palavras publicou uma entrevista (traduzida). Visto que ele é o famoso "homem que entrevistou três vezes Bin Laden",  certamente ainda terá muito a dizer. Aliás, não por acaso recomendamos mais de uma vez a leitura de A Grande Guerra pela Civilização. O Independent acabou de publicar um trecho do livro. E outro.
 
 
 
 

 

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Um comentário em “Osama ao mar

  1. curiosamente, o espetáculo ocorreu alguns dias após o super-homem anunciar ao mundo sua renúncia à cidadania estadunidense

    RE: Há quem diga que a culpa foi a caída da rede do Playstation, heheh

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