O melhor do melhor trânsito

Beatriz Bracher publicou hoje um texto na FSP com a seguinte tese:

 Um trânsito melhor em São Paulo não significa um trânsito mais rápido, e sim mais previsível e que conviva corretamente com o pedestre

A idéia é simples, direta e perpassa avisos objetivos sobre a preferência do pedestre e certas mudanças no tom da fiscalização dos motoristas.

A idéia é muito boa. Mas há uma pergunta: não seria necessário considerar nisso tudo algo não inerente ao trânsito, mas à fiscalização dele? Todas as propostas de Bracher se apoiam no pressuposto de que as fiscalizações realmente ocorrem e um sistema de "recompensa" dos bons motoristas funciona.

Mas se é assim a fiscalização já funcionaria hoje, penalizando os infratores e portanto deixando o trânsito melhor.

Tudo parece semelhante a diversas outras práticas de revisão no Brasil: costuma-se alterar as regras, mas o princípio de aplicação delas nunca se altera.

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Um comentário em “O melhor do melhor trânsito

  1. A proposta tem 5 itens, apenas 2 deles precisariam de mudança na legislação, os que dizem respeito à punição e à bonificação e servem de reforço aos 3 primeiros que dizem respeito ao tom da campanha e à sua intensidade. É evidente que as leis já existem e a fiscalização não funciona, mas acredito que uma campanha bem feita possa mudar o comportamento das pessoas porque pode mudar seu modo de pensar, inclusive o dos agentes de trânsito.

    RE: Prezada Beatriz,
    Obrigado pela resposta. De fato, já houve várias campanhas e algumas realmente obtiveram resultados notáveis. Por ex., anos atrás Curitiba fez uma campanha sobre uso de celular ou parada em cruzamentos, dentre outras coisas. Funcionou, muito embora hoje a cidade precise de outra(s) campanha(s).
    Então, certamente campanhas têm a chance de mudar o comportamento das pessoas e sua sugestão foi particularmente interessante no meio das opções oferecidas. Inclusive essa esperança de sensibilizar também os agentes de trânsito é sempre importante. Mas… quando será que teremos mudanças reais e efetivas?
    Neste blog colocamos sempre informes sobre o trânsito e mudanças de comportamento relativas. Só para dar um exemplo, é interessante notar a comparação entre uma campanha recente feita em Sampa e outra feita em Cherbourg, na França. Uma das diferenças que se poderia dizer “notáveis” é precisamente o foco: em Cherbourg a mudança interfere nas regras de trânsito e na fiscalização; em Sampa a campanha tenta interferir apenas nos hábitos, segundo critérios confusos. E aí volta a pergunta: onde reside a eficácia?

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