A pastoral dos “especialistas”

A revista Forum postou um artigo sobre um curioso caso: depois dos atentados na Noruega durante esta semana, houve uma profusão de informações não confirmadas de que os responsáveis seriam "muçulmanos" ou "islâmicos" (sic). As falas em diversos veículos foram muito claras: não se tratavam de "radicais terroristas" ou "extremistas" – sejam quais forem -, mas "muçulmanos".
 
A despeito dessas informações não serem confirmadas, elas proliferaram em função de um único fator: a divulgação por um chamado "especialista em terrorismo". 
 

A Forum descreveu o efeito de telefone sem fio – com o agravante de ser espalhado em jornais do mundo todo. Mas salta aos olhos essa facilidade da imprensa conferir credibilidade a prescrições vindas do "especialista", mesmo precipitadamente ou com informações contraditórias, pois logo surgiram informações de que o maior suspeito dos acontecimentos era um norueguês "radical" (agora sim) cristão e de direita.
 
Como se as prescrições dos especialistas não necessitassem mais do que sua adoção pura e simples, sem contestação alguma. Especialmente quando elas visam que todos empreguem  certo tipo de comportamento ou disposição em relação a um assunto.
 
Um pouco como no caso de Wellingon, o matador do Rio de Janeiro: insistiu-se muito num fantasioso massacre por motivos "religiosos" (e "muçulmanos"!), quando se tratava no fundo de um perturbado com cacoetes religiosos (o que se deve muito mais ao assassino ou aos temas televisivos que tentou incorporar em seu delírio do que aos muçulmanos propriamente ditos do RJ!). E um pouco também como em certos informes do Wikileaks bastante controversos.
 
Pelo menos em tese os especialistas são diferentes dos gurus e das mães de santo consultadas para o ano novo. Até os gurus acertam aqui e erram ali. Mas, mais do que por bolas de cristal, a fala do especialista se rege por conjecturas embasadas em certa objetividade, não pelo dedo em riste. Isso pelo menos em tese. Sem isso, caberia perguntar por que a imprensa prescreve tão facilmente, por meio de "especialistas", certos mandos comportamentais a todos, sem justificações boas ou muitas vezes sem qualquer justificação.
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