Arquitetura do desperdício

Não sou profundo conhecedor da obra ou das idéias de Bautista Vidal, mas uma de suas idéias mais básicas poderia ser uma espécie de ultraje jogado contra nós mesmos, se considerarmos o quanto ela é correta e não aplicada: a disponibilidade (e o não aproveitamento) da energia solar no Brasil. 
 
É incrível, fabuloso, ultrajante, inominável vermos tantas cidades Brasil afora com arquitetura e urbanização feitas para desperdiçar energia (hidrelétrica) e água disponível sem aproveitar nada do sol.
 
Pelo contrário, além de não aproveitarmos e desperdiçarmos, retroalimentamos o sistema e agravamos ainda mais o desperdício, do jeito que construímos nossas ruas e casas
 
"Cidade", para muita gente, significa ruas asfaltadas, calçadas praticamente inexistentes, ausência de árvores e plantas, concreto e laje na casa inteira (sem gramado, árvore, jardim etc.), muros altos e – horizonte regulador eterno – ar condicionado ou ventilador pra todo lado. 
 
Multipliquemos o modelo acima por milhões e… resultado: somos capazes de privação de energia elétrica ou abastecimento de água no país mais ensolarado e bem servido de água do mundo. Sem contar o calor quase insuportável das regiões lajeadas.
 
Desse contexto a soluções simples, triviais, quase ridículas como o "watercone", vê-se o caráter ultrajante da idéia acima sobre o aproveitamento do sol.
 
 
 
O watercone é apenas um cone de vidro invertido que, com a luz do sol, direciona a água evaporada e então condensada para um reservatório. No modelo acima, para servir a água basta virar a parte superior do cone do avesso. Conforme os divulgadores, um desses em local ensolarado pode render 3,5 litros diários.
 
Sem muita dificuldade dá para pensar em pequenos mecanismos acoplando três ou quatro cones em telhados ou quintais para produzir e armazenar água potável diariamente e de modo automático. Uma pequena bomba traz a água a ser purificada, um pequeno tanque armazena a água pura, células fotovoltaicas e gravidade fazendo o serviço de transportar a água…
 
Enquanto isso, comenta-se que nesse verão o preço do caminhão-pipa subirá. 😉
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Um comentário em “Arquitetura do desperdício

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