Quem não gosta de grevistas?

Os dois cartazes acima trazem consigo incríveis histórias.

O primeiro, dos sindicatos, conta a história de todas as lutas trabalhistas, inclusive as que conquistaram direitos como o descanso no fim de semana, as 8 horas diárias de trabalho e outras coisas mais (e eventualmente pode contar uma história paralela: a de como sindicatos também são utilizados como meio para politicagem, peleguice e hipocrisias mais). Ou o leitor acreditará que isso se deve a algum "humanismo" dos patrões?

O segundo cartaz é a reação de algum trabalhador "indignado". Fazendo coro com a cobertura dos jornais e o mais autêntico pensamento "Cansei", "classe média sofre", ele acusa a greve de ilegítima e manda os bancários voltarem.

"Eu" é que sofro: trabalho mais e não tenho os fins de semana. Logo, esses bancários reclamam de que?

É curioso notar como esse tipo de pensamento contribui para deixar as coisas exatamente como estão.

"Deveriam era negociar com o patrão", dizem uns. Como se a relação patrão x empregado fosse igual a um Eike Batista encontrando em frente a uma enseada paradisíaca empresários de uma corporação gringa interessados em commodities.

"Ganham mais que eu, trabalham menos. Eu é que sofro", dizem outros. Essa é mais grave. Ela tem várias operações escondidas numa só. Se digo isso, 1) tudo se passa como se eu não fosse trabalhador igual a eles, portanto 2) não reconheço meu direito de requerer meus direitos e 3) o direito dos outros de buscarem seus direitos.

"Reclamo com os grevistas porque eu não sou bem servido durante a greve": novamente, tudo se passa como se antes da greve eu mesmo não visse o pouco número de funcionários e fingisse não ver as taxas abusivas, as intrusões do telemarketing, os diversos constrangimentos institucionais quando a via do dinheiro vem do banco até minha pessoa… enfim, como se a relação banco x cidadão e banco x funcionário não sofresse considerável degradação a cada ano.

Enquanto isso, os "patrões" gerem a greve com pinça: um período inicial para causar revolta popular contra os grevistas; se estes não amolecerem, partimos para negociações tímidas, ou às vezes intimidações (isso depende muito do apoio popular, claro); finalmente, quando o povo já começa a dar seu jeitinho e contorna o serviço em greve, começam as negociações, estrategicamente situadas em margem abaixo da pauta de reivindicações. Resultado? Aguardamos todos, grevistas e povo (ninguém mais quer dizer: trabalhadores e trabalhadores?), até a greve do ano que vem. As corporações, bem…

 

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23 comentários sobre “Quem não gosta de grevistas?

  1. Acrescente-se que no “Só anda arrumado”, leia-se, é obrigado a andar arrumado, tirando dinheiro do próprio bolso para manter o padrão mínimo de vestimenta exigido.

  2. Pois é.
    Quando se fala na “pauta” só querem ler que “os funcionários querem aumento” e omite-se ‘sabiamente’ o fato de que estão também em revindicação o fim do trabalho terceirizado, que precariza o serviço recebido pelos clientes, a contratação de mais funcionários, porque hoje em dia aquele “gerente mau humorado” tem que cuidar de geralmente cerca de 1000 contas (quando pouco) e ainda ‘andar todo arrumado’ com o dinheiro que mal dá pra ele pagar todas as contas e pensões. E ai dele se atrasar algumas delas, será excomungado pelos ‘superiores’.
    Achei uma lástima como acabou a greve dos correios, eles poderiam ter conseguido muito mais.
    Ando fazendo a minha parte, além de bancária em greve, tentando fazer a [pouca] parte da população que atinjo a entender o que realmente está acontecendo.

  3. Sim, o grande mal é o egoísmo aliado à ignorância. Ou seja, só EU sofro, só EU tenho problemas. O texto do Catatau é muito lúcido e pertinente. Parabéns!

  4. A população ainda não compreende a diferença entre o bancário e o banqueiro. O cartaz do trabalhador que protesta é a demosntração da ignorância. Quando sair algum edital para concurso de banco, pede pra esse rapaz ver as exigências que são feitas com relação à formação e o quanto ele vai ganhar por isso…

  5. Era só o que me faltava. Campeão, já que estão atrás de tudo isso, por que é que sempre a greve acaba unicamente com o aumento de salário concedido? se as outras questoes sao assim importantes para voces, gostaria de ve-los parados enquanto estas – e não o salário de vossas excelencias – não são atendidas.

  6. Não adianta, o mínimo de direito trabalhista dá sensação de imenso privilégio usurpado e entregue a outrem, ou “vossas excelências”. Se eu não tenho, por que alguém pode tentar ter, não é?

    “Por que não acata a primeira proposta?” “Por que causar transtornos aos cidadãos?” “Por que acaba unicamente quando aumenta o salário?”

    Por que não se informa antes de fazer um julgamento ou, se não tiver interesse, abstém-se de julgar? Por acaso sabe todos os trâmites de negociação? Que estão anualmente marcadas? Quando é a data base e quando os banqueiros dão suas “generosas” propostas? Que a greve não acontece porque “dá na telha”? Que a greve e o consequente incômodo à população é o único meio do trabalhador pressionar o empregador? Que até pelo reajuste da inflação é preciso negociar? Que greves já terminaram sem aumento algum?

    E se, com aumento, continuarem a greve por outras reivindicações, quero vê-lo, Henrique, apoiando como agora já que o aumento de umas casas decimais era pra encerrar o papo no seu entendimento. “Além do aumento, mais reivindicações, Vossas Excelências?”

    Não trabalho em banco, apenas me informei antes de sair dando meu parecer.

  7. Bom, para aqueles que estao fazendo piadinha com a greve dos bancários, vai um recadinho: bancario nao trabalha de 09h as 16hs e sim das 09 as 18 (no ponto) e ate as 19hs (fora do ponto), bancario nao tem um excelente salario, bancario eh praticamente a lata de lixo de um monte de gente estressada, com problemas financeiros, ou sacaneadas pelo sistema do banco que bloqueou o cartao delas, bancario atende pessoalmente, responde email e atende pelo telefone ao mesmo tempo, bancario trabalha sob a ameaca de ser sequestrado, bancario pode perder a funcao que conquistou a qualquer minuto se nao bater metas, bancario nao tem direito de estar cansado ou desestimulado. mas uma coisa bancario tem: direito de reinvidicar um pouco de distribuicao dos 27 bilhoes de lucro no primeiro semestre de 2011, que nao se revertem em beneficios para os clientes, tampouco em salario e distribuicao de renda e muito menos para a sociedade, e sim fica na mao de acionistas que querem mais e mais em cima do sacrificio de funcionarios e clientes! PENSE ANTES DE BRINCAR COM A PROFFISAO DE ALGUEM

  8. Cara senhora Maria C.,

    Infelizmente para a senhora, por fazer Direito e já ter trabalhado na área, sei suficientemente bem todo o trâmite citado, inclusive quanto à data-base, os encarregados de tentarem um acordo, a atuação dos sindicatos/federações/confederações (engraçado ter de ser escravo de um só na categoria, não? Santa unicidade) e o julgamento do dissídio coletivo.

    Nada disso invalida meus argumentos. Da mesma maneira, vosso ‘coitadismo’ não é suficiente para lhe ajudar na pretensa linha de raciocínio.

    Veja bem, de maneira alguma me oponho aos direitos trabalhistas de qualquer classe, principalmente com relação à remuneração. E, inclusive, com o uso da greve quando necessário.

    O que sou contra é essa pauta inchada de reivindicações, como se tudo fosse importante e que lutariam por isso. Sabe-se que a questão é salarial, pois se encerra quando um acordo de aumento é feito. Não teria nada contra se houvesse HONESTIDADE em falar que o objetivo é esse e pronto. O problema é que dizem se preocupar com muito, mas cedem sempre que o salário é revisto.

    E outra: acho justíssimo usar do direito constitucional de greve, mas não pode ser feito de maneira a prejudicar a população por isso. São coisas compatíveis, mas vemos essa cretinice de querer fechar todas as agências, penalizando justamente quem não tem nada a ver com isso. Se a profissão é problemática e tudo mais, vá para outra, pois ninguém os forçou a ocupar esta. Quando se entrou, já se sabia da utilidade pública que o serviço possui.

    Senhora Maria C., a livre iniciativa também é direito. Mas ninguém quer usar, não? Melhor ter férias coletivas.

  9. Sr. Henrique Says. Muito conhecedor, o senhor quer se apresentar como se fosse. No entanto, a pauta inchada é o que menos pesa nas negociações. Tentam, os banqueiros, tratar apenas de reposição para um salário que permanecerá por mais 12 meses. Deixe os banqueiros oferecerem um aumento real minimamente aceito para o Sr. ver se a greve não encontra a solução! Utilize suas informações para ajudar a reduzir a exploração, tendo, sempre, o cuidado para não acabar sendo “inocente útil” do Sistema. O Sr. reproduz uma máxima do capitalismo quando diz “Se a profissão é problemática e tudo mais, vá para outra, pois ninguém os forçou a ocupar esta.” No capitalismo vc é livre para trabalhar onde quiser, comer o que quiser, viajar para onde quiser… Os bancos e os banqueiros é que deveriam saber os impactos de sua ganância para a sociedade.
    Saudações da Classe que não é média, mas sofre!

  10. Bem, a pauta é inchada? Para quem ignora/desconhece temas como plano de carreira, saúde ocupacional, PLR, horas extras… certamente não vê importância. Para quem ignora as dores dos outros, segue um poema de Brecht:
    “A correnteza impetuosa é chamada de violenta
    Mas o leito de rio que a contém
    Ninguém chama de violento.
    A tempestade que faz dobrar as bétulas
    É tida como violenta
    E a tempestade que faz dobrar
    Os dorsos dos operários na rua?”

  11. Caro Henrique e sua pomposa retórica racional e embasada, sabe o que os escravos fizeram no ano passado? O sindicato “aconselhou” a não fazer greve por ser ano de eleição (sim, peleguismo). Os trabalhadores ignoraram: 3 semanas de greve. Procure se informar do que as “pautas inchadas” já conseguiram além de meros aumentos, que você ainda não decidiu se deve ser a única pauta, por “honestidade”, ou não deve, por “ideologia”.

  12. Prezado Henrique,

    Bem se vê que o sr não conhece os banqueiros. Vc sabe que no Banco do Brasil quem fecha as agencias é o representante do banco e não o sindicato? Que o Superintendente liga para as agencias e manda fechar para o publico e triar o atendimento? Mesmo em agencias onde o número de grevistas é irrisório? E sabe o que significa triar? Somente atender aos mais afortunados! Deixando de fora a população mais carente!
    Então pense melhor quando culpar os trabalhadores que são contra esse tipo de atitude.

  13. sr. antonio rios e sra. cris,

    obrigado pelos comentários! Certamente ajudarão a conhecer melhor a questão e – quem sabe – tanto poder criticar melhor quanto mudar os posicionamentos errados.

    Gostaria apenas de reiterar que sou totalmente a favor da luta tanto por melhores salários quanto por melhores condições de trabalho. O que ataco é justamente a forma pela qual é feita hoje. E, é claro, sou contra o enorme spread bancários, os juros ilimitados (não há lei da usura para bancos) e toda a palhaçada de banqueiros. só não acho que um erro justifica o outro.

    sr. antonio, sua escrita justamente confirma o que digo. Não sou contra a pauta enorme, mas sim inchá-la e ceder logo que o acordo salarial (aquem do que deveria ser é aceita. Deveriam continuar, nao?

    Ademais, reproduzo, sim, uma máxima do capitalismo, visto que é o sistema em que vivemos. Embora muitos queiram negar isso, hoje não dá pra fugir. Tem que se tentar melhorá-lo. Prefiro a liberdade de poder fazer o que quiser à imposição de algo porque alguém lá em cima acha o mais adequado.

    sra. cris, gostaria de perguntar pq os grevistas não divulgam tal situação – sE VERDADEIRA – de toda a maneira. Na porta das agencias, poucos ficam panfletando e reivindicando. E os demais?

    sra. maria c., achei engraçado ter parado de falar em argumentos jurídicos. As mesmas pautas que você cita também geraram disseminação de caixas eletronicos e dispensa de obreiros. Ainda, faltam argumentos.

    Por fim, nenhum dos senhores nesta discussão falou o que eu disse a respeito do prejuízo massivo à população, da forma como é feita. Gostaria de saber sua opinião.

    Espero que consigam pelo menos a reposição da inflação e melhor saída para isso, de forma que todos melhorem sua situação.

    RE: Pequeno pitaco: “prejuízo massivo à população”: tudo ocorre como se antes da greve o prejuízo não existisse (por exemplo, como se ausência de reajuste + ausência de contratação, degradação do trabalho + mal atendimento, não resultassem de um mesmo conjunto de regras) e como se a culpa fosse da greve. Aí vem o segundo recurso: “é, mas se requerem tanto, pq param com a melhoria do salário?” Como se 1) grevista fosse santo redentor e não trabalhador, 2) a greve fosse para o grevista algo semelhante à agulha para a costureira, um simples instrumento, sem juízo de valor algum e empregável sem maior dispêndio de força (como se a greve não oferecesse desgaste ao grevista), 3) como se tudo isso não servisse primeiro para fortalecer a posição do ‘patrão’, sendo um verdadeiro jogo de xadrez para o grevista reverter a má impressão conseguida pela imprensa e povo simplesmente porque está em greve).
    “Prefiro a liberdade de poder fazer o que quiser à imposição de algo porque alguém lá em cima acha o mais adequado” significa: 1) tenho liberdade de escolha, 2) minha liberdade de escolha me proporciona o melhor “se eu quiser”, 3) há escolha pelo “melhor” quando se escolhe estar ou não no banco, 4) só escolhe pelo pior “quem quer”, 5) logo os grevistas só podem agir por má fé (pois “escolhem” a greve ao invés de “escolher” um emprego melhor por exemplo). Belo mito, não?
    Agora, tem aí uma questão importante: a de radicalizar a greve, no sentido de conseguir atender as reivindicações reais e evitar novas greves. Isso é interessante, mas impossível sem apoio popular por exemplo. E como disse outro comentário acima, a greve é muitas vezes o único instrumento do funcionário, e isso considerando que só é instrumento quando consegue se reunir em “categoria” (outra evidência bem concreta contra o mito da “escolha” individual – sozinho é pé na bunda, aí ficamos no argumento tostines: ele poderia “escolher” outro emprego, os incomodados que se retirem, etc. etc… até voltarmos à senzala)

  14. Sr. Henrique,

    Mesmo dizendo no início do seu texto que quer “conhecer melhor a questão e – quem sabe – tanto poder criticar melhor quanto mudar os posicionamentos errados” durante todo o resto do texto o sr. reafirma a sua postura de que crê que está certo e os seus debatedores errados.
    Parte de uma postura de “ser formado em direito” para se posicionar de forma superior aos outros e até satirizar pela falta de novos argumentos jurídicos.
    Sua posição é dúbia e inconsistente. Diz estar do lado dos bancários e trabalhadores mas defende que a greve seja mínima para não atrapalhar os cidadãos.
    Desconhece o quanto é difícil mobilizar os colegas de trabalhar a entrar em greve frente à ameaças de demissões e descomissionamentos.
    A pauta de reinvindicações se coloca como algo ideal e sabemos que nem tudo é plenamente alcancável numa única greve, exatamente por falta de mobilização, ou você acha que se 95% dos bancários estivessem em greve a Fenaban faria este joguinho? (vide o caso do Banpará)
    Quanto à essa “liberdade” que o Capitalismo te proporciona isso é muito questionável.

  15. Vejo que sou minoria aqui, mas vou falar mesmo assim.

    Sabe quem defende greve? Quem não é prejudicado por ela.

    Eu não vejo ninguém que tem aula aos domingos dando razão pra greve dos professores.

    É a única maneira? Não sei. Só sei que é maléfico à sociedade.

  16. Henrique, não tenho “argumentos jurídicos” porque não os estudei. Não é do meu feitio opinar sobre o que não sei. Se todo o resto é indispensável, inclusive fatos citados, então não temos o que dizer um ao outro.

    A greve decorre do impasse das negociações. Os empregadores permitem que aconteça quando mostram indisposição de ofertar algo digno. Mas não se vê indignação alguma com os banqueiros. Mentalidade patronal.

  17. Só mais uma coisa. Nenhum grevista está “confortavelmente de folga”. Muitos já preveem a pilha de trabalho que se acumula e as horas que precisarão compensar. Não é simplesmente aparecer, bater cartão e cumprir a carga horária normal.

  18. sr. Eduardo,

    1) Leia atentamente. Não disse que me considero errado, e sim que quero entender melhor a questão para mudar os posicionamentos que EU considere equivocados, através do debate. Admito que os outros possam estar certos, mas ainda não estou convencido disso. Logo, não há incoerencia. Por isso usei a expressão “quem sabe”. Não tente criar argumentos distorcendo a fala dos outros.

    2)Ainda não sou formado em Direito, e caso o sr. tivesse lido os comentários anteriores, veria que foi justamente a outra comentadora quem trouxe esse tipo de questão para cá, não eu. satirizei, sim, após ela ter abandonado toda a “carga jurídica” após a minha resposta. Não iniciei argumentos jurídicos para embasar a questão, limitando-me a responder.

    3)A posição não é dúbia ou inconsistente, pois, se o sr. tivesse compreendido, saberia que creio que a greve e o atendimento à população são COMPLEMENTAREs, e não excludentes. Dá para fazer um sem sacrificar o outro, assim como é determinado com relação aos transportes e correios. Acredito que o serviço bancário é tão primário quanto os outros, e toparia enfrentar problemas no atendimento. Porém, você, ao que parece, defende parar tudo.

    4)Dizendo que a pauta é algo “ideal”, você mesmo provou meu ponto, ao confirmar que nem vocês consideram tudo essencial a ponto de paralisar os trabalhos. O problema é grana, e grana só. O resto é negociável.

    5)O sr. afirma que a liberdade no capitalismo é questionável, mas sequer aponta como, ao contrário do autor do post, que mostra coerencia, apesar de eu nao concordar inteiramente.

    6) seu ataque foi ataque por si só, e não ataque das minhas idéias, diferente de todos os outros. Acho uma postura lamentável, mostrando que você não quer debater, e sim atacar, somente.

  19. Henrique, como você diz que está certo em tudo que diz e disposto a musar apenas a opinião dos ourros e não a sua, para que debater alguma coisa com você?!
    ps: nao me admira ser estudante de direito com essas opiniões…

  20. Henrique, já que você leva na esportiva piadinhas sobre profissões: http://acertodecontas.blog.br/sala-de-justica/faculdades-de-direito-brasil-1240-x-1100-resto-do-mundo/
    “Sou adEvogado”, invocando a si uma aura de superioridade. Quer dizer, “sou postulante”. Quer dizer, só mais um. Se tomar como insulto, talvez o incomode o fato de ser só mais um. E no nosso amado sistema, como se sabe, ser só mais um é ser solapado na insignificância de um indivíduo que não merece ser escutado por não se diferenciar, que deve acatar as decisões dos mais capacitados, não necessariamente intelectualmente. Sim, é triste, mas você vai constatar várias vezes que a hierarquia não corresponde, como lhe foi doutrinado, a uma meritocracia. E quando isso o incomodar, simplesmente engula a seco. É assim, não questione dogmas.

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