O país mais desigual do BRICS

Lembremos da Índia, com seus rituais estranhos, ruas sujas e trânsito caótico, esgotos a céu aberto, rios sujos e população maltrapilha.

Agora lembremos da China: inúmeros trabalhadores com salário de semi-escravidão em fábricas com trabalho abusivo, enquanto no horizonte crescem gigantescos arranha-céus.

Ou senão a África do Sul, com suas políticas de appartheid, amenizadas a cada ano por políticas públicas, mas ainda historicamente marcantes.

Índia, África do Sul e China compoem, com o Brasil (e a Rússia), o cada vez mais famoso BRICS, grupo de países com importância econômica emergente.

E agora vale deixar os estereótipos (mais ou menos corretos) de lado: dentre eles, qual é o país com desigualdade social mais acentuada?

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, é o Brasil. O estudo apontou que nos últimos 15 anos o Brasil avançou mais entre todos. Mas é muito curioso o dado segundo o qual, mesmo assim, a desigualdade permanece maior. Mais uma peça interessante no quebra-cabeça dos rumos efetivos do aclamado “desenvolvimento”.

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3 comentários sobre “O país mais desigual do BRICS

  1. Catatau, acho que escrevi aqui mesmo para você – ou pelo Twitter, Facebook, não lembro agora. Mas o modelo lulista de desenvolvimento, embora tenha sido muito correto no momento em que foi aplicado, mostra agora sinais de esgotamento.

    Vivemos o governo Lula permitiu uma mobilidade financeira, mas não social. Por falta de investimento público e privado, diga-se, os novos consumidores não possuem acesso a bens e serviços que lhes permitam reduzir estas desigualdades.

    O empresário brasileiro continua covarde. Recusa-se a investir. (parêntese longo e necessário: quando Collor derrubou os muros que nos separava do mercado internacionais a ponta-pés, o empresário brasileiro, por razões óbvias, foi o primeiro a reclamar. Eles não tinham nenhuma motivação para novos investimentos. Para eles, tudo deveria permanecer como estava. Mas o capital internacional chegou e ampliou os investimentos e acesso a novos mercados.)

    Vejo que este fenômeno parece se repetir. Os novos consumidores possuem acesso a produtos chineses de baixa qualidade e empresários brasileiros, em sua maioria, ainda se recusam a investir para estes mercados. Sem o acesso a bens e serviços, a desigualdade irá permanecer. Estas pessoas precisam ter acesso a livrarias, escolas de qualidade, planos de saúde que tenham respeito a seus associados, etc. Continuamos com índices baixíssimos de livrarias e bibliotecas por habitantes (isto não deveria significar oportunidade?).

    Abraços!

  2. Olá Marcio,

    Obrigado pelo comentário!
    E quanto ao grande estímulo dado ao consumo interno nos últimos anos, isso não serviria de impulso para investimentos e melhorias? Parece que a reclamação dos empresários tem mudado ultimamente, pois se antes reclamavam sobre o funcionário ser “caro”, hoje há setores nos quais até mesmo faltam funcionários (construção civil, por exemplo). Como fica?

    Abraços,

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