Novo Paraná: o da aplicação de verbas públicas por meio privado

O governador Beto Richa (PSDB) novamente deu o tom de seu “Novo Paraná”. Com o argumento de “caráter de urgência”, ele anunciou a necessidade de terceirizar serviços do Estado nos seguintes termos:

De acordo com o texto da lei, essas organizações não poderão atuar nas áreas de educação (Ensino Fundamental, Médio e Superior) e segurança pública. Em todas as outras, sim.

A oposição (vale muito ler essa sóbria entrevista com Tadeu Veneri, do PT) acusou Richa e seus aliados de aprovarem tudo a galope, sem discussão e transparência.

Contra tanta pressa, a Assembléia Legislativa foi inclusive ocupada por manifestantes. Curiosamente, o G1 apelou à falácia de que toda manifestação é  ilegítima e violenta, mudando o foco dos acontecimentos, agora descritos sob termos como “não houve feridos” (sic). Mudança de foco: não é mais o governo que vem a galope aprovar um projeto sem discussão alguma; são os manifestantes que “invadem” (conteúdo implícito: “as invasões são violentas”) e (ufa!) por sorte “não houve feridos”.

Por fim, a ALEP aprovou o projeto de “terceirização” (curioso cuidado em não usar o desgastado “privatização”). A que veio tanta pressa? Os governistas mesmos colocaram certo caráter de urgência e inevitabilidade. Supomos todos que não houve outras alternativas, a questão se pôs por si mesma e não houve espaço algum para discussão, certo?

Errado. Se tudo se passa assim, como explicar o próprio Beto Richa negando em campanha a mesma matéria que hoje aprova?

Ou, sem clipping,

Citando o então candidato:

Não conheço essa modalidade. Temos aqui (…) convênios que funcionam muito bem. Até é uma referência, pois há 2 anos e meio tivemos um estudo divulgado ao longo de 1 ano técnicos do Banco Mundial estudando a saúde pública no Brasil. E eles concluíram o estudo dizendo: o melhor serviço de saúde pública do país tá aqui em Curitiba. Aqui é a prova de que o SUS poderia dar certo. Veja só o que eu falava de compromisso: no meu plano de governo o compromisso era de reformar, ampliar ou construir 25 espaços de saúde (…)

Confrontando o vídeo com a cobertura, tem-se: Tanta urgência e inevitabilidade foram mal contadas; a ausência de discussão teve propósitos estratégicos; ou enfim, como situar tais “compromissos de campanha” e o alardeado “novo Paraná”?

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Um comentário em “Novo Paraná: o da aplicação de verbas públicas por meio privado

  1. Falácias. Agregação de falácias. Mais sintomático é a saúde da capital ir de mal a pior, justamente quando temos um prefeito médico.

    Espanta-me a truculência dos novos príncipes do PSDB. Onde iremos parar com os Richas e Aécios da vida?

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