Contra o entorpecimento da questão da cracolândia

A visão fla-flu do mundo ataca de novo, agora sobre a Cracolândia: de um lado, muitos apoiam medidas repressivas que não resolvem o problema e se articulam com a especulação imobiliária de São Paulo (retirar “drogados”, “sanear” o bairro trará mais investimentos para certo tipo de interesses exclusivamente situados no dinheiro, e até em gente – “desde que não nos incomodem, é claro”); de outro lado, aparecem discursos sobre certa autonomia dos viciados difícil de se admitir, visto que não se trata de uma droga qualquer (e também não de um caráter de sujeitos autônomos encarando a droga em um contexto experimental ou qualquer outro) e sim do crack.

Em termos gerais, um e outro erram o alvo: um reabilita a truculência policial e  faz passar por debaixo do tapete o interesse financeiro, que vê aqueles viciados ali como um empecilho a remover; e o outro não enxerga a comunidade em torno do vício em sua situação e necessidades, reduzindo a crítica à crítica contra a truculência policial. Permanece ali opaca a situação daquelas pessoas e suas demandas próprias.

Entre uma visão e outra, é um alento encontrar textos como esse, de Talita Ribeiro, que expoem nas entrelinhas a correta colocação do problema.

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