As catástrofes naturais revelam as sociedades

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Morro do Bumba, Niterói, em 2010 e um ano depois

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Japão, março de 2011 e um ano depois

Falhas, Por François Sergent, Libération (tradução livre)

As catástrofes naturais revelam as sociedades. As inundações de Nova Orleans mostraram um país desamparado e ineficaz, malgrado sua riqueza e domínio tecnológicos. O Mississipi transbordando pôs a nu todos os males da América, suas desigualdades e sua desconfiança inveterada no Estado. O terremoto, a tsunami e então a catástrofe nuclear de Fukushima expuseram o Japão. O mundo admirou, depois dessa tripla tragédia, a força, a resistência, a coragem de seus habitantes. Milhares de mortos e refugiados não abalaram nem as estruturas, nem os fundamentos da sociedade, que permaneceu unida e sólida.

Mas um ano depois, o Japão mostra também suas falhas e fraquezas. Como a opacidade de seu sistema de poder político e seus conluios de cumplicidade com o aparelho industrial, notavelmente nuclear. A extensão e a gravidade da radioatividade remanescentes permanecem pouco conhecidas.

O governo continua a esconder de seus cidadãos e do resto do mundo números comprobatórios e confiáveis. Esses segredos e mentiras mantêm uma suspeita justificada contra o nuclear. Se o Japão começou a reconstruir suas cidades, rotas e portos destruidos pelas águas, como já fez depois do terremobo de Kobe, o país ainda não analisou o modo como governa.

O tremor de terra de Lisboa colocou em causa a filosofia européia e abalou as monarquias e as Igrejas. Em Tóquio, nem o governo e nem o modelo econômico do país foram questionados. Sob o risco de corromper ainda mais a confiança entre as classes dirigentes e os cidadãos. O que, no Japão, constituiria uma outra tsunami.

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Um comentário em “As catástrofes naturais revelam as sociedades

  1. Muito interessante esse seu questionamento, caro Catatau,

    A “grande imprensa” brasileira tem quase como regra mostrar a superioridade dos japoneses sobre os brasileiros em organização, persistência, honestidade, realizações etc. e nada fala sobre “a opacidade de seu sistema de poder político e seus conluios de cumplicidade com o aparelho industrial, notavelmente nuclear.”

    Como disse o ex-ministro Franklin Martins, a imprensa deve ser livre em relação ao governo mas não deve ser partidária em relação à oposição, ao poder econômica, ao Daniel Dantas etc.

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