Histórias de ar condicionado

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Um casal de senhores simpáticos puxa papo na praça. Lá pelas tantas, na fala sobre o clima vem: “aqui é um lugar agradável, faz frio no inverno. Chegamos até a desligar o ar condicionado e pegar o lençol”.

Aí você imagina um lugar lindíssimo de paisagens tropicais, regado por ventos e matas, salpicado por rios, lagoas e até o mar. Árvores altas, frondosas, fazem várias camadas nas quais o clima resultante abaixo é agradabilíssimo. A humidade da mata fecha o ciclo do frescor.

De repente aparecem ruas asfaltadas, calçadas pequenas concretadas, muros e enfim casas, casas e mais casas. Casas estranhas, concretadas, de janelas pequenas, sem toldos, viradas para o sol, com teto baixo, cercadas por muros altos…

As árvores vão embora e deixam asfalto, concreto e tijolo. A prefeitura acha bom deixar tudo concretado, e o habitante quer evitar sujeira. A cultura gosta da laje, do concreto, e não da terra e do lugar adornado por plantas. Planta dá trabalho. Deus dá o ar para respirar e pronto. O resto a gente ajeita.

Aí vem o ar condicionado. Um para cada quarto ou casa, multiplicado aos milhares. Centenas de quilômetros quadrados, antes de vento e mata, agora de pontos coordenados de ar condicionado. O ar coroa toda a série de asfalto, tijolo e laje.

Faz calor: ligamos todos, cada um, o ar. O ar condicionado resfria por dentro, mas contribui para o aumento do microclima urbano exterior.

Aumenta o calor e ligamos o ar. Então aumenta o calor e ligamos mais ainda o ar. Então aumenta o calor… e eventualmente, em algum inverno, poderemos até desligá-lo.

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7 comentários sobre “Histórias de ar condicionado

    • Oi Marcela,

      Bom relê-la por aqui, valeu! Teus comentários sempre foram importantes para encorajar a continuidade das blogagens.
      Sobre o ar condicionado, taí, seria interessante ver o raio de “universalidade” das implicações do que disse o casal na praça, rsss
      abração,

  1. Aqui em Manaus é absurdo. As pessoas usam edredom com o ar condicionado ligado. Se eu precisei ligar o ar condicionado para dormir, não vou usar um edredom para me cobrir, pelo contrario: vou buscar o modo minimo suficiente para que traga conforto gastando menos energia. Isso sem contar o resto: uma cidade no meio da maior floresta tropical do mundo sem arvores nas ruas, muros altissimos e casas baixas são o padrão, carros petros são a preferência, entre outros absurdos. Agora, viver sem ar condicionado aqui é complicado. Especialmente para um de nós, acostumado com um clima mais amigavel.

    Ler os seus textos me ajudam a refletir e conhecer coisas novas.

    Um abraço

    • Legal, já estou curioso pelos pareceres sobre o livro, rsss

      Quanto a Manaus, é curioso (como me parece ser em quase todo o resto): não seria de se pensar numa arquitetura e urbanização para amenizar o calor? Por ex., imóveis com janelas grandes, toldos ou varandas ou coberturas próximas às janelas ou portas, construídos em face sul, etc. etc., enfim, um pensamento que serve para prevenir o calor, e não apenas para remediá-lo? E também, não ter esse tato para o calor, não seria uma questão até com fatores culturais?

      E no fim das contas, vivemos com o ar condicionado como se ele sempre existisse

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