O esquartejamento de cada dia

Ontem (isto é, um dia qualquer, como haverá outro) o Jornal da Band divulgou uma notícia muito curiosa: uma ossada humana foi encontrada no centro do Rio de Janeiro dentro de uma caixa, com os ossos ali dispostos, literalmente encaixotados. Quinze segundos de reportagem, ponto final.

Como é possível alguém matar alguém, produzir a ossada, encaixotá-la, ir ao centro do Rio e deixá-la ali, em qualquer lugar, saindo impune?

Essas perguntas foram caladas com a mesma facilidade com que se encerrou a reportagem: passando ao próximo assunto.

Mas não deixa de ser curiosa a principal notícia da noite: em outro lugar, uma esposa ciumenta atirou no marido e depois o esquartejou, inclusive desfilando com os pedaços entre São Paulo e o Paraná.

Aí o tom da notícia é outro: o casal é rico, houve traição, a guarda do filho estava em jogo, ela foi prostituta e ele largou uma primeira família antes de ficar com ela, eles fizeram um acordo… a estória reúne diversos conteúdos que ainda permanecem na cabeça das pessoas quando o jornal termina e começa a novela (ou o programa do Ratinho).

Já a ossada do Rio, bem… ela está demais próxima de nossa condição para ocupar os ideais de nossa cabeça.

Mais um dia se passa, e as divisões do Brasil se refletem em cada pedaço.

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