De centavo em centavo

Pago e a máquina acusa troco de R$ 0,98.
Ergo a mão para receber a moeda de R$ 1, aí a mulher começa, relapsa, a futucar nas moedas: dá 50, 25 e duas de 5 centavos. Ué, 85 centavos? Mostro o troco a ela, então com cara feia ela tira 5 centavos e me põe na mão.
“Ainda faltam 10 centavos”, digo. Ela responde: “vai ficar regulando alguns centavos? Meu Jesus Cristo, para onde esse mundo vai…”

Sim, se eu pudesse mudava o nome desse blog para “micropolítica do jeitinho” ou “filosofia política do homem cordial”  ou algo que o valha. Mas o Leminski não escreveu o Catatau sob propósitos tão distantes… 😉

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3 comentários em “De centavo em centavo

    1. Isso que parece interessante: de um lado, somos inibidos de falar, de pedir nosso direito porque a situação é considerada frívola, trivial, desimportante; e por outro lado, quando se fala todo o transtorno é direcionado à individualidade do falante, suas características pessoais, o “rabugento”, o “chato”, o “caxias”, o “formalista”…

      É um sistema de relações que empurra tudo para a individualidade, o jeitinho, o “se sair bem” na situação. Aí que está, antes de tudo a regra de convivência (lei, bom senso etc.) não é o que rege a situação; ela é regida por outras regras, que podem decidir ou não pela lei ou o bom senso… e por aí vai.

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