Nós e a crise européia

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É sempre interessante ver como reagimos à crise européia. Lá o desemprego aumentou, postos de trabalho são extintos, escolas são “enxugadas” com diminuição de professores, salários defasados…

Aí o brasileiro eventualmente olha para si ou ao redor e vê que aqui a informalidade sempre teve índices alarmantes, que só agora a empregabilidade começou a aumentar, que os professores possuem salário de miséria e a maior parte da educação brasileira é no sistema tapa-buraco (professores temporários, horistas, mal pagos…), que as cidades e a economia sempre foram regidas por verdadeiros Senhores de Terra, que a corrupção impera em nível micro e macropolítico…

Então o brasileiro olha de novo para a Europa, vê aquelas praças cheias de gente e diz: “eles parecem realmente indignados!”

***

Alguns dentre os brasileiros olham para tudo isso – isso quando o jornal mostra – e resolvem: “vamos fazer protestos por aqui também”.

Mas os protestos daqui são empréstimos do que acontece por lá. O ímpeto não vem de dentro (ou melhor: ele sempre vem de dentro, mas se não estávamos indignados antes com nossas mazelas, por que ficamos agora com a mazela deles?). Imitando as ocupações de lá, muitas vezes as daqui não sensibilizam a maior parte dos próprios sofredores de mazelas. Se o Egito, por exemplo, reunia desde o médico indignado até o simples trabalhador – e eventualmente até os soldados! -, aqui não foram os policiais mal pagos, os médicos precarizados e os trabalhadores em geral que se moveram pela própria indignação.

E o Brasil segue parecendo um cortiço: a instalação elétrica mal feita não dá lugar nem a uma reconstrução e nem ao curto-circuito geral. Se algum dia for preciso, sempre alguém “toma as rédeas” e “dá um jeitinho”. 😉

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Um comentário sobre “Nós e a crise européia

  1. Excelente reflexão Catatau!

    Penso que de alguma forma continuamos repetindo a nossa história e não há Copa do Mundo ou Olimpíadas que irá apagar isso.

    Protestar é deselegante, não diriam, mas pensam os elitistas e a classe média. Mas agora que na Europa se faz protesto, ora, vamos fazer também e estaremos na moda.

    Voltamos a repetir os governantes e a elite carioca muito antes do visionário Barão de Mauá, quando nossos postes ainda eram iluminados por candeeiros e as ruas do Rio de Janeiro perfumadas para espantar o mau cheiro que afastavam os cruzeiros europeus que se dirigiam diretamente para Buenos Aires atraindo passageiros com aviso como “sem escala no Brasil”.

    O Brasil precisa de um psicanalista. O reflexo do velho complexo de “vira-latas” está impregnado em nós.

    Abraços!

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