O horror de pensar

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Incrível de ver o horror, o pavor, o pânico, do homem ordinário (nós todos) quando oferecem a ele uma informação que não consiga compreender imediatamente. COMO ASSIM?

A informação não compreendida parece a ele um monolito vindo do espaço: ídolo a louvar ou destruir. Não há espaço para o pensamento.

Prato cheio para uma sociedade na qual a formação e a aprendizagem, com todo seu labor, dão lugar a termos como “treinamento”, “instrução” e outros retirados do comportamento animal.

Não à toa se fala de tanta crise na educação: o aluno deixa de ser aluno para se tornar cliente, e o professor se torna um “prestador” (palavra da moda: “instrutor”). Ai se o conteúdo não for imediatamente acessível! Antigamente se queimavam livros; hoje o acesso se tornou tão livre (embora caro, especialmente no Brasil), talvez porque o pensamento não ofereça mais perigo – afinal, quem é que vai ME ocupar com isso? E se alguém me ocupar com isso: que ultraje!

No que restou de bibliotecas de antigas casas estudantis brasileiras, não é difícil encontrar livros escritos em espanhol, inglês, francês e alemão, utilizados até 20 anos atrás. Florestan Fernandes comentava sobre o fato de seus professores passarem textos publicados em suas próprias línguas nativas, cabendo ao aluno correr atrás.

Correr atrás? É curioso como a falta de recursos do passado se transformou, no presente, na recusa diante da abundância de recursos.

Na Europa transformam igrejas medievais em bibliotecas, e isso deve ter lá seu significado: livros abandonados em igrejas abandonadas, cuidados depois de grandes movimentações – não muito bem quistas pelos burocratas  – para preservar o patrimônio material e imaterial.

Embora até nisso o Brasil tem lá suas diferenças. Basta ir a uma cidade histórica qualquer (ex.: Penedo-AL, de importante valor histórico) e encontrar, jogados às traças, inúmeros documentos de nossa história, que existem só porque algum senhor zeloso teve a decisão pessoal de não jogar fora. Senhores zelosos e professores estão ficando fora de moda 😉

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