Esse cara não sou eu

Que as músicas chilet sempre existiram, talvez ninguém duvide. De repente, a novidade está no fato delas serem tão utilizadas nos últimos anos (ou talvez desde o último ano) na dita “indústria cultural”. Ou ainda, talvez desde há muito (talvez uns 60 anos em algum país totalitário da Europa) nunca aceitamos tanto sermos atravessados por enunciados que são deliberadamente exteriores, mas consideramos imediatamente interiores.

Você está em um momento qualquer da vida e de repente se pega cantando: “esse cara sou eu!” Ou “eu sou hot, hot dog”. Ou ainda “agora eu fiquei doce que nem caramelo, tô tirando onda de camaro amarelo”… Ou alguma com barambarambaram, tchê tchererê tchê tchê…

Ou você olha para o lado e pega alguém dizendo: “assim você mata o papai!”

Não sei bem o que anda ocorrendo por aí. O que parece curioso é o fenômeno: as pessoas nem mais chegam a dizer que “se pegaram” pensando ou cantando algo. Elas simplesmente já pensam, já falam, e “assinam” o enunciado por algum critério de gosto ou simplesmente prepotência.

Mas para haver prepotência, antigamente se diria que deveria haver numa pessoa algo de próprio. Para haver gosto, antigamente se colocava um enunciado próprio à mercê do julgamento dos demais. Hoje em dia nem um, nem outro. Quem é que fala, quando diz “Esse cara sou eu”? Aí reside um curioso paradoxo 😉

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