Legados da Copa e violência policial

Não sei bem, como diz o texto de Safatle e metade da dita “intelectualidade brasileira”, se a Copa mostrou um Brasil que avançou em termos de violência policial, suspensão de direitos civis e diversas desmedidas.

Para dar um exemplo: antes da Copa o complexo de favelas da Maré estava lá, com aquele chocante muro de Berlim em pleno Rio de Janeiro, separando a via dos que vão ao Aeroporto Internacional e as vielas chocantes e indescritíveis da favela.

Durante da Copa era o mesmo muro, só que com um diferencial: lá dentro, do outro lado, haviam inúmeras “forças de segurança”, com policiais, blindados e tropas de paraquedistas do exército.

Arrisco dizer: depois da Copa nenhuma “força de segurança” estará mais ali.

Entre antes e depois da Copa, o que mudou? Alguém pode dizer que mudou a presença policial antes, durante e depois.

Mas o fato é que antes tínhamos uma favela brutalmente desatendida e objeto de intervenções policiais brutais, entretanto sazonais. Durante a incursão policial a favela continuou brutalmente desatendida, mas agora com forças desmedidas. E agora, como é que ficará?

As “forças de segurança” podem ter mudado de quantidade, mas em qualidade nada mudou. Se a imprensa e a intelectualidade enxergam desmedida, ela não ocorreu em uma espécie de avanço do estado policial.

No fim das contas, era a mesma polícia, antes e depois. A diferença é que ela apenas precisou ser mais solicitada. Como poderá ser novamente, sob qualquer outra demanda.

O importante a notar é que, antes e depois, as demandas não são verdadeiramente públicas, republicanas ou o que quer que o valha. A relação entre “segurança” e “população” não obedece no Brasil o velho projeto moderno, a segurança não é uma espécie de duplo e regulador da população.

As forças de segurança agem como a taça que Messi ganhou, patrocinada pela Adidas (não foi o futebol que motivou o ganho…). E a população é exatamente o exemplo de Podolski (o amado jogador alemão) voltando da Zona Sul ao Galeão: ele verá algo muito estranho no caminho, e talvez se perguntará “minha nossa, como isso foi possível?” – Mas logo recordará dos momentos felizes e do carnaval.

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