O mar e o bar

Paulo Leminski dizia: “se o Rio tem o mar, Curitiba tem o bar”. Ele também dizia algo como “pinheiro não se muda”.

As duas frases parecem se reportar ao mesmo tempo à beleza de Curitiba e à sua singularidade. Como diversas outras cidades, Curitiba conquistou em sua história algumas características únicas e que conferem seu valor próprio.

Curitiba continua bastante famosa com aquela velha fama de “cidade de primeiro mundo”. Quando os outros mencionam essa expressão, parecem dizer: em Curitiba o transporte funciona (e talvez os outros serviços públicos); a cidade dispõe de muitos parques; a qualidade de vida é grande.

O slogan de “primeiro mundo” também repercute no dito “primeiro mundo”, e muito se deve a medidas – talvez não tão nobres assim – advindas desde os governos de Jaime Lerner.

É possível ser bastante crítico desse tipo de slogan (e este blog nunca o deixou de os criticar). De todo modo, hoje é tão difícil separar da cidade a estética de Poty Lazarotto quanto os ônibus, os tubos e os parques. Quem sabe já não pertençam ao contexto das declarações acima, do Leminski.

Mas, para além dos ideais, é difícil não ver que, na vida cotidiana, Curitiba não vive mais o que vendeu como slogan. O trânsito, o transporte público e os parques – enfim, a maquinaria urbana e os bens públicos – nem de longe acompanharam o crescimento da cidade.

Para Curitiba continuar sendo Curitiba, seria preciso aumentar a oferta do transporte público e o número de parques na mesma medida em que aumentaram a população e a geografia. Algo que, sistematicamente, os governos não fizeram.

E hoje é muito estranha a paisagem contemplada dos ônibus em muitos lugares: lotação excessiva, pessoas embrutecidas se empurrando, e lá fora uma população de desatendidos que parece crescer a cada dia.

O Rio de Janeiro parece vender ao Brasil e ao mundo uma visão de “cidade maravilhosa” que se resume à sua “Zona Sul” (sinônimo de status e bem-estar) e, quem sabe, algumas partes do centro. A cidade ainda se vangloria de oferecer o mar (mesmo que sob diversas controvérsias, vide a invasão de algas devido à sujeira do ano passado). Quanto a Curitiba: o que tem oferecido?

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