O drama dos professores

É até um pouco irônico, mas aquele poema de Brecht, tão louvado por uns e condenado por outros, nunca pareceu tão atual. Ou senão, vale dar uma olhada no que se passa com os professores hoje.

Posso dizer, inclusive, hoje. Em Curitiba, um forte policiamento evita manifestações de funcionários públicos e professores de ensino básico – aqueles perigosos elementos que o brasileiro acostumou a chamar de “as tias da escola”, pois não aprendeu a respeitar seus professores porque não respeita a si próprio.

Há agressões. Estão batendo nas “tias da escola”. O prefeito atual, Rafael Greca, repete o velho rito: travestido de iniciativa de “gestão”, tenta passar seu péssimo planejamento com uma série de atalhos, que envolvem a não contratação de novos professores, o adiamento “legal” dos reajustes salariais conforme a lei, a interferência nas aposentadorias, a não liberação de licenças-prêmio e o cancelamento da confecção do plano de carreira dos professores (que ainda não existe!).

Para passar tudo na marra, os vereadores ameaçam fazer suas coisas transportados em camburão.

Legal isso, não? O tão orgulhoso cidadão da “República de Curitiba”, seguindo tão calado diante do fato de que seus professores serão menos qualificados – pois a profissão deixa cada vez mais de ser atrativa – e, assim, os filhos dos curitibanos ficarão mais burros. Se bem que… algo há para se entender nessa equação.

E para continuar falando de hoje. No mesmo Paraná, professores da Facel (uma “Facú” particular, dizem assim no Paraná) entraram em greve porque não recebem seus salários. A notícia parece clara: a preocupação é de que os alunos não percam “qualidade” do ensino. Será preciso juntar lê com crê e dizer que não há qualidade num ensino que não respeita o professor?

No RJ, a UENF agoniza porque não consegue repor funcionários e não possui autonomia de gestão (veja o quanto faz falta a boa educação: o repórter da Globo escreve na manchete “Heitor da UENF”, e não “Reitor”). A UENF não recebe verbas corretamente desde 2015, atrasa salários e corta bolsas de pesquisa e demais atividades dos alunos. E nem vou falar da UERJ.

Voltando ao Paraná, as universidades estaduais também agonizam. O ensino de base também.

Incrível como o brasileiro está anestesiado. Levou uma pancada na cabeça. Só pode ser. É como faz com seus professores.

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