Das antropologias cariocas

Você está almoçando. Termina e, ensaiando o primeiro sossego, repousa o garfo no prato. Imediatamente e até de um jeito meio agressivo, o garçom vem e toma o prato de sua mão. Quase no seco.

Depois da vez número 999875 em que isso ocorreu, eu parei o garçom e disse:

– Amigo, você percebe o quanto é chato que o garçom venha e retire o prato da mão do cliente tão logo o cliente pare de comer, sem nem conseguir respirar?

Primeira reação: passar por desentendido. Segunda: não dar bola. Terceira: começar a engrossar a coisa.

Entre a primeira e a segunda reação, dou o pulo do gato e emendo:

– Amigo, olha só: para além do Rio, no mundo inteiro o garçom não vem e tira o prato da mão do cliente tão logo ele pare de comer. Imagine você almoçando e, logo que para, vem o garçom e tira o prato da tua mão. O que você vai pensar?

O garçom hesita um pouco e… esboça um sorriso, daqueles bem sem-vergonhas, do tipo “me pegou no flagra, cumpadi!”. Continuo:

– Amigo, quando você for tirar o prato de alguém dessa forma, chegue e diga algo como “olha só, estou tirando agora seu prato mas é para liberar a mesa e deixar você à vontade, viu? Pode ficar tranquilo”.

Aliás, aprendi a técnica com as garçonetes alagoanas que atendem ali perto (num dos melhores restaurantes preço-benefício que já fui, aliás).

O garçom dá uma pensada, olha para mim, pega o prato e… agradece.

E eu passo por mais uma dessas. Sorte que, pelo menos nessa saída de casa, não aconteceu mais nada (já não falarei pelo que ocorreu de manhã, ou ontem, ou…)

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