As nuvens negras do fascismo de 2018

Estou muito impressionado com o pessoal de minha timeline, e da vida em geral, que entra na bravata geral e anuncia que vai votar no Bolsonaro. Impressionado a ponto de temer que ocorra por aqui em 2018 algo semelhante à vitória de Trump, nos EUA.

Concordo que existe ainda um bom número de gente da “esquerda ligada à restituição do PT” (que inclusive achou legal ver Gleisi Hoffmann eleita na presidência do partido, mostrando que o partido não viu nadinha da bordoada que recebeu nas últimas eleições), desempenhando um grande papel na criação dessa monstruosidade.

Bolsonaro é um político inócuo, pífio, de partido nanico e sem qualquer expressividade.

Mas ela – esquerda ligada ao PT -, pela cegueira diante da corrupção do partido, acabou reforçando e ajudando a canalizar o perigoso contra-efeito: o pretexto de anti-petismo, bastante batido pela TV, acabou se misturado com certa visão seletiva da corrupção (à direita, cegamente atacando só o PT e à esquerda, cegamente defendendo o PT). Isso consolida, primeiro a conta-gotas mas agora de forma cada vez mais sedimentada, uma grande insatisfação geral que acabou, meio acidentalmente, apontando para o “Bolsonaro 2018”.

Mas isso não explica tudo. Bolsonaro é um fascista à brasileira. E por “fascismo à brasileira”, defino

1) o governo de uma elite política (a mesma velha elite brasileira do “blocão”) ligada à elite financeira (aliás, o mesmo “blocão”), que acabará convencendo o povo no gogó – como sempre – de que cumprirá um rigorismo ligado a um Estado policialesco, com maximização da repressão policial contra os “bandidos”.
-> governo esse que seguirá com a mesmíssima corrupção já existente, inclusive ligada às empreiteiras e às propinas, distribuições de privilégios e mesadas de partidos, tendo visto que, ora bolas, o próprio Bolsonaro e seu partido estão entre os mais puros beneficiários do esquema que os bolsominions atribuem ao PT;

2) o governo que seguirá a pauta zumbi do governo Temer, ligada no discurso à “modernização” da economia,
-> mas que na prática não passa de um governo de má gestão e administração travestidos de “eficiência”, quando identifica o progresso ao velho tema de cortar na carne do povo. Será nada mais, nada menos, do que a retomada radical do velho tema do Brasil como um “moinho de gastar gente”;

3) o governo que, para apoiar o pretexto de rigorismo policialesco, acabará com todas as pautas ligadas aos direitos humanos, aniquilando toda e qualquer minoria, que se identificará ao velho disco furado da “vagabundagem”, do “crime” e da “afronta aos costumes”.

Quem apoia Bolsonaro – declaradamente ou não – acaba apoiando as idéias acima. O duplipensar é incrível. Senão, vejamos:

– Os sujeitos dizem que Bolsonaro é bom porque “acabará com a bandidagem” e “dará fim à corja do PT”, quando desconsideram que o partido do dito cujo recebeu propina igualzinho aos outros, e o próprio Bolsonaro também foi beneficiado por ganhar propina “esquentada”!

– Os mesmos acham estranho que se chame Bolsonaro de fascista, e ao mesmo tempo sustentam a idéia de que os direitos humanos devem ser banidos e a violência policial é a única boa solução para “colocar ordem na coisa”

– Finalmente – e uma das coisas mais surpreendentes – o pensamento empregado por esse tipo de gente é inteiramente negativo, isto é, vazio e amparado na reação, no contra-efeito: não há qualquer proposta ligada à existência de Bolsonaro. O que há é a canalização de um descontentamento e uma recusa de pensar, aliás ilustrada pelo método favorito dessa gente: responder uma acusação com outra acusação. É a existência motivada pela vitória do “zero a menos um”, no abandono do jogo em busca do gol contra do adversário. O mais puro reacionarismo.

Há nuvens à vista, e a enxurrada vai afundar o Brasil ainda mais… Embora o brasileiro, ora bolas, já está acostumado e até… deseja isso!

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Entre o bico de professor e o de garçom…

A imagem acima é do ano passado. Muitos dizem que foi exagerada. Mas e o que dizer disso, por exemplo? Breve citação:

ficar abaixo desse nível significa que os alunos não são capazes de enfrentar situações financeiras diárias para poder tomar decisões – como reconhecer o simples montante de um orçamento ou saber, em função do preço, se é melhor comprar tomates por quilo ou por caixa. De acordo com o estudo, 53% dos alunos brasileiros na faixa de 15 anos ficaram abaixo do nível de conhecimentos financeiros mínimos.

Em relação aos professores, alguém poderia lembrar que a Reforma Trabalhista, com as terceirizações e o trabalho intermitente, cria condições de interpretação perigosa. A Reforma da Previdência estabelece maior tempo de trabalho para a aposentadoria. E os índices de procura nas licenciaturas mostram que a procura para a profissão de professor tem reduzido drasticamente.

Quanto ao dado da OCDE, permite dizer:  já não dá mais nem pra ser garçom.