Fui assistir #Wolverine e #Deadpool hoje. Não durei 30 minutos na poltrona. A #Marvel acabou e a pá de cal foi o “multiverso”. Explico.
Nos anos 1980/90, universos como a Marvel e a DC começaram a deixar seus criadores preocupados: a multiplicidade de histórias deixava tudo cada vez mais complexo. Quem comprava muito gibi começava a perceber que não havia linha nas ações, não havia mais concordância nas histórias, começava-se a perder as linhas temporais e espaciais, o que um herói fazia aqui não batia com aquele outro gibi etc..
Para corrigir isso a DC criou a “Crise nas Infinitas Terras”. Ela era uma espécie de obra universal que concentraria todos os personagens para dar uma espécie de zeragem no cronômetro e no ponto espacial: a partir do desfecho da “crise”, a DC nivelaria as histórias, resetaria o universo. Tudo teria sentido novamente.
O mesmo se deu na Marvel com sucessivas histórias, em torno de #Thanos, #Beyolder, “novas” gerações ou séries (Ultimate etc) reunindo todo mundo em torno de seres cada vez mais poderosos.
E nos anos 2000 se intensificaram as adaptações ao cinema. De saída houve o descompasso de estúdios diversos para heróis diversos, começou tudo sem lógica. As adaptações, salvo raras exceções, atropelavam histórias, misturavam narrativas, encurtavam histórias que renderiam filmes inteiros em simples menções…
E deu no que deu: desperdiçaram munição, e tudo se passa como se não restasse mais nada.
Como, então, resolver o problema? A escolha, ao que parece, foi de repetir o que foi feito nos gibis dos anos 80/90, só que em sentido inverso: não se trata mais de tentar reunir as narrativas, mas de criar algo que permita admitir que daqui por diante nada precisará mais ter nenhuma coerência.
E assim se criou o Multiverso. As histórias estão discrepantes? Basta dizer que pertencem a multiversos distintos. Pois qualquer personagem agora poderá ter qualquer história. Poderá trocar de papéis, e até multiplicar o mesmo papel, pois daqui por diante pode haver um universo inteiro com um só herói. É possível morrer e ressuscitar, sem maior explicação ou fidelidade a uma narrativa. Afinal, estamos no multiverso! Desde que se coloquem algumas piadas no meio e o público ache graça…
Se este filme não colar, basta no próximo desdizer tudo, inventar um outro caminho do multiverso e assim por diante. Basta ter menos conteúdo que os sanduíches e refrigerantes que anunciam o filme.