… a primeira dificuldade é saber se você está de fato com COVID. É incrível, absolutamente surreal, mas se você se deparar com o maior acontecimento da humanidade dos últimos anos, o grau de importância desse acontecimento é inversamente proporcional ao grau de informação acessível para um tratamento correto e eficaz (ponto, aqui, para quem fez uma campanha de Fake News atingir mais pessoas que os dados cientificamente corretos).
É claro que todo mundo sabe que, se foi contaminado, deve ir ao médico e fazer teste. Mas a aventura começa para 1) conseguir sair do trabalho (sem o risco de não perder o emprego), 2) buscar transporte (entre ônibus aglomerados, motoristas de Über que querem manter a janela fechada ou o parente que ostenta o nariz para fora da máscara), 3) encontrar um médico (entre agendas cheias e postinhos lotados) e, finalmente, 4) encontrar um lugar com teste disponível (e, mesmo assim, lotado).
É só depois disso que começa o jogo. Qual jogo? O jogo de tratar a COVID. Começa com o fato de que é preciso ir ao médico para ter a receita do teste, para depois… voltar ao médico para saber o que fazer com o resultado do teste. Vencida a etapa de fazer o teste, o novo desafio é coincidir o resultado do teste com a disponibilidade do médico. Vencida mais essa etapa e você fica de cara com o médico, o que se desdobra em ao menos dois caminhos:
- o médico é negacionista e infalivelmente receitará o Kit-Covid (coisa que, se você é um negacionista escroto, não precisaria de médico)
- o médico não é negacionista e ufa! – a situação pode ser encaminhada de alguma forma
Mas então é preciso conseguir afastamento do trabalho, sobreviver sem contaminar a família ou os outros e depois ser novamente ejetado nesse mundo que só fala de COVID, mas respira por todos os poros a negação dela.
Que protocolo seguir?
Mas, conforme acima, é incrível o sentimento de desolação e de completa ignorância quando se é diagnosticado. Para que lado seguir? Em quem acreditar? Qual protocolo é o correto?
É possível que até mesmo o médico seja um negacionista, desses que prescreve medicamentos amplamente desmentidos pela comunidade científica. Como saber se os remédios que me foram indicados são remédios de fato, e não apenas placebos indicados por negacionistas?
Pois várias drogas, ainda receitadas, mantêm-se desaconselhadas para o tratamento inicial. Até mídias de tendência bolsonarista, como a CNN, já admitiram isso. Até o Dráuzio Varela tem algo a dizer sobre médicos bolsonaristas que tentam empurrar remédios sem comprovação.
Disso tudo, ao menos a Sociedade Brasileira de Infectologia tem alguma informação nesse mar de incertezas. E a Associação Médica Brasileira tem links importantes, essenciais, para mostrar ao tiozão do whatsapp ou ao médico negacionista.