Passou batido e até agora não encontrei uma boa fonte sobre o que diabos Bolsonaro foi fazer na Rússia. Quando ele chegou por lá, as hordas do zapzap não cessaram de dizer: “Bolsonaro foi garantir a paz mundial”. Os memes foram impagáveis, a ponto de ser impossível distinguir quais foram produzidos por críticos ou simpatizantes:
A despeito disso tudo, dias antes da visita um diplomata americano havia dito que a ida de Bolsonaro à Russia, num contexto de iminente invasão da Ucrânia, seria comparável ao de uma criança que de repente se põe a correr atravessando uma auto-estrada.
Mas o que é que Bolsonaro foi fazer ali? Os “fatos” o dizem: ele primeiramente foi render homenagem ao túmulo do soldado desconhecido, monumento erguido aos soldados mortos pela URSS na época de Stalin no combate ao nazismo. Desenhando: Bolsonaro foi render homenagem a soldados “comunistas”.
Ao contrário dos líderes da Alemanha e da França – e do cuidado para que chefes de estado não ofereçam material genético para os russos -, Bolsonaro se submeteu a exames médicos contra COVID. E ao contrário do que faz por aqui, Bolsonaro aceitou pianinho o uso de máscara e certas medidas de isolamento social.
Finalmente, Bolsonaro se reuniu com Putin. Foi tratar especialmente de fertilizantes.
E no cálculo geral, quais foram os efeitos concretos? Ora, Bolsonaro usou máscara, fez testagem, rendeu homenagem a comunistas, tratou de fertilizantes e entrou em desagrado com o departamento de Estado dos EUA, ítens que fariam um tiozão de WhatsApp torcer os olhos.
Mas para além de toda essa galhofa brasileira, ao menos um resultado foi efetivo: Putin conseguiu um pretexto qualquer (um poste?) para alargar o prazo de seus cálculos sobre invadir a Ucrânia.
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Desfecho: