
A china acabou de decretar Lockdown em cidades com milhões de habitantes para manter sua política de “Covid-zero”, quase no momento em que um ente querido me relata que está com sintomas semelhantes aos da COVID. Sem saber o que fazer, minha primeira reação foi a de acionar uma farmácia para que levasse um auto-teste.
O teste – que custou 60 reais – chega. O resultado é negativo. Recomendo para que o ente querido refaça o teste no dia seguinte, no que ele diz: qual teste? Pois só chegou um.
Logo descubro – e da pior forma – que se o Brasil liberou recentemente a auto-testagem, cada kit contém apenas um teste e custa 60 reais, preço impraticável para um brasileiro.
Vou pessoalmente à farmácia e tudo se comprova. Quem quiser testar precisará pagar aquilo tudo para receber apenas um teste. Em países como a Inglaterra, a testagem é barata e contínua, os funcionários positivados são afastados e cada kit com auto-teste contém em torno de 7 testagens. Afinal, os riscos de falso-negativo são consideráveis e muitas vezes é aconselhável repetir a testagem.
Ainda no mesmo dia recebo o relato de um amigo: o patriarca de sua família fez aniversário e, no clima de otimismo misturado com o velho negacionismo, resolveram reunir a família inteira para comemorar. Chega gente do Brasil inteiro, com muitos abraços e todo mundo sem máscara. Cerimônia perfeita, exceto pela ausência de uns e outros que insistiram em manter os cuidados de distanciamento.
Mas houve outro detalhe: no dia seguinte à festa, um dos familiares foi atrás de um teste e deu positivo. De repente, o Real pareceu bater à porta. O familiar então foi embora praticamente sem se despedir, talvez assombrado por outras histórias características dos dois últimos anos. Quem sabe, essas histórias pareciam tão distantes…