Essa porra de reforma

Hoje é um dia histórico, mas é um dia para a História do Esquecimento. O senado acabou de aprovar a “nova” reforma da previdência.

No apartamento ao lado, o pedreiro faz a reforma e baterá seu martelo até o fim do dia. À noite, os vizinhos é que farão o aparelho de ar condicionado bater até de manhã, verdadeira britadeira noturna. Amanhã o ciclo se renova, e a notícia da reforma (no caso, a da previdência) passará como se nada tivesse ocorrido.

Mas a reforma da previdência vai interferir na vida do pedreiro e do vizinho, de uma forma muito mais drástica do que o incômodo de suas britadeiras e martelos. O pedreiro terá que se arranjar para bater muito mais martelo. O vizinho vai ter que se virar para pagar a conta do ar condicionado-britadeira. Pois nada se discutiu sobre essa reforma, exceto o fato – repetido diariamente – de que seria preciso fazer uma reforma.

O Brasil tem vivido coisas inacreditáveis. Ontem, nosso presidente disse que o interesse na Amazônia não se refere “ao índio ou à porra da árvore”, mas à mineração.

Simples assim: índios não valem e essas “porras de árvore” ficam atrapalhando o essencial, isto é, a concessão da Amazônia para as mineradoras americanas.

Mas isso não é o mais grave. O mais grave é um presidente achar que pode dizer isso, menosprezar o capital de seu povo (o índio!) e seus bens mais preciosos, visados no mundo inteiro.

Se um presidente pode adotar esse tipo de linguajar, então é de duas, uma:

  • é porque ele não tem qualquer credibilidade e o povo pode adotar o mesmo princípio contra o presidente: o que significa que Bolsonaro, essa “porra de presidente”, deveria ser deposto.
  • é porque o povo não está nem aí mesmo e esse lugar não merece mais ser vivido, pois se tornou uma porra de país.