A inversão do fone de ouvido

Nos anos 1980/90, o walkman e os fones de ouvido surgiram e se multiplicaram. Possuir ambos era sinal de status, modernidade, de estar na crista da onda. Também envolvia a sensação de carregar consigo a história da música, pois virtualmente se poderia ouvir tudo em qualquer lugar (bastando ter as fitas, e depois os CDs, ipods, pendrives…)

E eis que surgiu o smartphone. Com ele, no Brasil ao menos, o movimento pareceu retrógrado: as pessoas jogaram fora os fones de ouvido para confundir o smartphone com o antigo radinho de pilha no jogo de domingo, mas generalizado para a vida toda: é volume máximo, não importando o assunto e que se dane o ouvinte.

É o mesmo tipo de gente que em geral não sabe desligar a digitação com barulho, ou como baixar o volume. É quem há pouco tinha dificuldades de fazer algo mais que ligar, e flertava com os celulares de teclas grandes. É, finalmente, o mesmo tipo de gente que clica em phishing, cai em golpe e vota baseado em fake news.

Está para ser feito um estudo de como os smartphones emburreceram as pessoas.