A canalização do descontentamento

Durante os protestos de 2013, algo me chamou muito a atenção. Vi muitas manifestações contra a corrupção e os desmandos, gritos pelo mundo, pela ecologia, a justiça e a paz. Mas praticamente não vi nenhuma manifestação sobre questões objetivas, sobre a máfia das vans da cidade, a inexistência de serviço de hospital, o ensino precário, as milícias correndo solto…

É certo que as manifestações de 2013 começaram com algo bem concreto, o preço das passagens de ônibus. Mas quando generalizadas, ocorreu como se elas perdessem o foco.

E logo começaram as fotos de policiais mascarados incitando violência, no mesmo instante em que também surgiam os “black blocks”. Então colou no imaginário popular o tema dos black blocks, seguido do tema sem pé nem cabeça do “protesto sem violência”.

Foi tudo muito rápido. Mas enquanto muita gente cantava as alvíssaras de 2013, já era possível pensar: não pedíamos coisas relativas ao que efetivamente vivemos, não havia ali pautas concretas. Outra coisa era o que se passava.