“Segue a gente aí”

Lá estava tomando um café na rua, quando de repente vem de assalto uma mulher e um homem, os dois com um smartphone filmando tudo e sem margem para reação.

Ela diz que está sorteando algo para quem a seguir nas redes. Um papelzinho plastificado mostra alguns ícones. E a câmera ali, apontada para você como se congelasse a iniciativa (e sem permissão de filmagem). Entre o espanto e o embaraço, minha resposta sai:

– Não, obrigado.

Ela sai comentando com o rapaz: “Viu, não dá”. Sem deixar de filmar, o rapaz começa a incentivá-la. E mais adiante lá estavam, corajosos e conseguindo três seguidores (dá para imaginar o enredo do post ao fim do dia: a dificuldade inicial – o incentivo corajoso – a luta pela conquista – a vitória final, com 38 novos seguidores).

Entro então numa loja. O anfitrião dá um panfleto e diz “segue a gente nas redes sociais”. Só podia ser pegadinha. E duas quadras acima, café na mão, um daqueles garotos, projeto de influencer de ultra-direita, buscava mais seguidores. Ele parecia viver nos anos 1970, pois perguntava às pessoas se o melhor regime é o capitalismo ou o comunismo. Só que estava em 2024 e com um smartphone na mão.

Há algo estranho no ar. As pessoas parecem viver para serem seguidas. E onde? Naquelas redes sociais que lucram com qualquer engajamento e não importando o tema.

Ao fim do dia, resultado na França: a ultradireita lidera com 33% dos votos.