Nietzsche, o “fdp”

Fui ver uma “fala” sobre Nietzsche no “Flow“, do Youtube: consiste num carinha que parece cheirado, falando um monte de palavrões e que Nietzsche “é um fdp”. Metade do video era merchand para gamers, outra metade dizer que Nietzsche é um fdp e que o locutor pensa na vida enquanto está no chuveiro.

Em algum momento eles citam Clovis de Barros Filho. Aí dá a entender que o jeito descolado e cheio de palavrões é para imitar Clovis de Barros.

É a velha receita, o velho atalho, de imitar a forma sem se apropriar do conteúdo: Clovis de Barros sabe o que está fazendo e seu jeito despojado de falar faz parte de uma estratégia de divulgação científica e de convite à filosofia. É o saber acadêmico em posição de humildade e inclinado à divulgação.

Já seu imitador o é apenas na forma, seguindo escolas como a de Ovalo de Caralho, sob a ilusão de que posição significa saber, e melhor ainda se ornado, mesmo que com o jeito desbocado olavesco misturado com streamer.

Clovis de Barros estudou, fez a lição de casa e faz divulgação científica. O rapaz desbocado é streamer, youtuber, o que seja, e o que busca é engajamento.

Nessas horas é bom saber que Clovis de Barros é um caso muito específico e que tantos professores universitários não estão sujando o mar da internet com mais plástico (boa parte dele já fornecido pelas IA’s).