O ministro da educação declarou nesta semana, em pronunciamento oficial, que “a vacinação da comunidade escolar não deve ser condição para a reabertura das escolas”.
Ao dizer isso, Ribeiro agiu como ministro da saúde, e não da educação. Educação diz respeito a políticas públicas de educação, inclusive as que deveriam ser feitas durante a pandemia e em defesa da não-infecção dos brasileiros. Já saúde diz respeito a fazer mandamentos e recomendações sobre saúde. E dizer que a vacinação não deve ser condição para a reabertura das escolas é um enunciado de saúde, não de educação.
Sendo um enunciado de saúde e não de educação, qual é a implicação efetiva e concreta dele? O que Ribeiro fez, quando disse que a vacinação não deve ser critério para o retorno às aulas presenciais?
Ribeiro adotou como sua a mesma política já adotada, mas não admitida, por Bolsonaro: não importa a pandemia, pois o que o Brasil deve obter é a dita “imunidade de rebanho“, isto é, infectar a população até que supostamente o vírus não mais se propague.
Ao fazer isso Ribeiro, e Bolsonaro, cometem certos enganos graves, isto é, crimes:
Em primeiro lugar eles usam um conceito falso, pois jamais, em epidemiologia, pregou-se que uma população humana deveria adquirir “imunidade de rebanho” sob a pena de morte de uma margem dessa população. “Imunidade de rebanho” nesse caso preciso não é um conceito, mas um pseudo-conceito, tal como “tratamento precoce”, “isolamento vertical” e outros que circulam no bolsonarismo.
Em segundo lugar, o uso desse conceito falso serve para propósitos políticos bem pensados. Qualquer outro governo que tenha pregado algo semelhante receberia o nome de genocida. A morte de parte da população (hoje: 545 mil mortos) em nome de uma suposta “imunidade de rebanho” é um crime, sobretudo quando se vê um governo trabalhando ativamente para isso. Dizer que uma categoria inteira, que mobiliza parte considerável da população, deve expor-se à contaminação e a certa margem de mortes sem a necessidade da vacina, não é nada menos do que uma atitude genocida.
Em terceiro lugar, tais atitudes implicam uma consequência ainda mais perigosa: a mutação do vírus. O retorno às aulas presenciais, sem uma população imunizada pela vacina, implica na probabilidade de surgirem novas cepas imunes às vacinas. Isso significaria tornar inútil tudo o que foi feito até aqui. E também agravar a crise, não do Brasil mas do mundo inteiro. E além disso, significa também transformar o Brasil num país-pária e indesejado por qualquer um que se diga humano.