Dar parabéns à IA

Outra modalidade de analfabetismo digital, mas com grandes consequências políticas (seguindo o post anterior) é bem exemplificado pelas as IA’s e tem se intensificado com elas: é a atribuição de autoria a um meme não feito por humanos, ou de retrato a uma imagem postada como spam, ou de simples confusão de personagens.

Anos atrás, tínhamos as histórias sobre as velhinhas que penduravam a foto de Obi-wan Kenobi na parede ou detinham um bonequinho de Elrond num altar para rezar a Jesus ou Santo Antonio. Isso era certamente confusão, mas não deliberadamente explorada por outrem.

Hoje a indução ao erro se tornou uma indústria, por exemplo de engajamento. Há as páginas no Facebook e no Instagram feitas pura e simplesmente para coletar fotos e vídeos de influencers de corpo bonito. O engajamento é alto, e o que se vê nas interações? Gente elogiando as fotos como se fossem postadas pelos próprios retratados.

Isso quando o retratado é uma pessoa real.  Redes como o Facebook se esforçam para distinguir se há um retrato ou uma IA, sinalizando a postagem. Mas não falta gente que cai no engodo (ou no engajamento) com mensagens do tipo “olá, bebê” e quetais (quando não se dedicam a atacar as modelos).

Na mesma linha, há as imagens de IA geradas automaticamente. Se elas são sobre gatinhos, fofurices ou mensagens de paz, não faltam os velhinhos dando os parabéns e abençoando. A máquina dos anos 2020 recebe de seus usuários diversos “Deus lhe abençoe”.

Daí às fake news e às maiores barbaridades deste mundo, o caminho é o de um curto-circuito.

Comentário sobre a boxeadora argelina que ganhou as Olimpíadas

“Fascismo” e redes sociais

O fascismo tem várias homologias para com as redes sociais. Pois ele opera por ressonância. As redes sociais, quando passaram a usar o like, e mais ainda o follow, se tornaram verdadeiros “para-raios de maluco”: elas tornaram possível aproximar entre si desde colecionadores de gibi até pedófilos.

Mas, independente do conteúdo a ser aproximado, o que importa é a forma. As pessoas tendem a seguir aquilo que de algum modo as toca. Isso não é racional, é algo situado nas paixões, na identificação.

Likes e follows já existiam antes. Mas nunca foram reunidos de forma sistemática, especialmente sob os modos inaugurados pelo facebook.

Não é à toa que, depois das redes sociais usarem os likes e follows, e depois delas universalizarem, o mundo guinou à ultra-direita. O vínculo entre a exploração de redes sociais (facebook, whatsapp etc.) e de estratégias de ultradireita é para lá de escancarado.

E, afinal, é assim que também as Big Techs ganham seu pão.