Nietzsche, o “fdp”

Fui ver uma “fala” sobre Nietzsche no “Flow“, do Youtube: consiste num carinha que parece cheirado, falando um monte de palavrões e que Nietzsche “é um fdp”. Metade do video era merchand para gamers, outra metade dizer que Nietzsche é um fdp e que o locutor pensa na vida enquanto está no chuveiro.

Em algum momento eles citam Clovis de Barros Filho. Aí dá a entender que o jeito descolado e cheio de palavrões é para imitar Clovis de Barros.

É a velha receita, o velho atalho, de imitar a forma sem se apropriar do conteúdo: Clovis de Barros sabe o que está fazendo e seu jeito despojado de falar faz parte de uma estratégia de divulgação científica e de convite à filosofia. É o saber acadêmico em posição de humildade e inclinado à divulgação.

Já seu imitador o é apenas na forma, seguindo escolas como a de Ovalo de Caralho, sob a ilusão de que posição significa saber, e melhor ainda se ornado, mesmo que com o jeito desbocado olavesco misturado com streamer.

Clovis de Barros estudou, fez a lição de casa e faz divulgação científica. O rapaz desbocado é streamer, youtuber, o que seja, e o que busca é engajamento.

Nessas horas é bom saber que Clovis de Barros é um caso muito específico e que tantos professores universitários não estão sujando o mar da internet com mais plástico (boa parte dele já fornecido pelas IA’s).

“Você é a prova viva de que no Brasil político e rico sempre escapam da justiça?”

"Às vezes sim"

Jaqueline Roriz

Como se esse tipo de prática nada devesse a casos como o do Alceu.

O Emprego (2008)

Animação de Santiago Grasso (via @fabriciokc)

Ex Isto

Ex Isto: filme inspirado no Catatau de Paulo Leminski. Duas resenhas.

Um ano de assassinato colateral

O vídeo acima foi divulgado pelo WikiLeaks há exatamente um ano (cobertura completa aqui). Trata-se do assassinato "colateral" de jornalistas (dentre outros imputados então como "insurgentes", crianças por exemplo) em 2007, por soldados em um helicóptero Apache.

Bradley Manning, soldado responsabilizado pela divulgação, foi preso e recebe tratamento desumano.

Dentre as vítimas está Namir Noor Eldeen, fotojornalista.

Esse foi um dos primeiros grandes vazamentos divulgados pelo WikiLeaks.

Indio – Hard Sun (Big Harvest)

 

Muita gente gostou da trilha sonora de Na Natureza Selvagem, gravada por Eddie Vedder. Dentre as músicas, "Hard Sun" é uma das mais apreciadas.

O que não se sabe muito é a origem dessa música. Um cantor canadense chamado Gordon Peterson – ou "Indio" -, gravou a versão original em 1989 (disponível no youtube), em um álbum intitulado Big Harvest.

Peterson inclusive processou Vedder por alterar a letra da música, comprometendo a integridade da versão original.

De todo modo, depois de 20 anos, diz-se por aí que Big Harvest – o único disco de Indio – ainda é cultuado por bastante gente. Para conferir o disco,  basta visitar o Music you need to hear ou o link rapidshare.

“É falha deles trazer as crianças para a batalha”

O site WikiLeaks divulgou hoje um filme até então ocultado pelo exército norte-americano. Nele, dois jornalistas da Reuters (Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh) e mais 10 iraquianos (inclusive duas crianças) são assassinados em uma abordagem de helicóptero Apache, em 2007.

Durante a "abordagem", surpreende o tom ao mesmo tempo agressivo e debochado dos tripulantes, bem como a precipitação do julgamento  diante de uma situação dúbia (eles confundiram câmeras com armas) e a presssão para receber dos superiores a autorização de atirar.

Após a primeira abordagem do helicóptero, chega uma van civil e algumas pessoas descem para socorrer as vítimas. Erro e precipitação novamente: os soldados rapidamente concluiram que elas estariam "armadas", alvejando-as enquanto tentavam carregar as vítimas.

No meio dos deboches e da agressividade, aparecem incríveis lições de moral e auto-justificações fajutas, como a frase do título acima. De algum modo ela se assemelha à justificativa abaixo, enunciada por um antigo tenente e agora capitão, na mesma “guerra”:

“it’s not my job to die for my country and beliefs… it’s to make those bastards die for theirs!”

Duas passagens sobre o Hipertexto

A primeira, do Rodrigo Cassio, põe muito bem o problema das relações entre autonomia e WEB:

 Questionar o capitalismo tardio adotando as próprias estratégias de sociabilidade pelas quais ele se absolutiza em nossa experiência é algo que precisa ser posto em xeque, o tempo todo.

A segunda, do Hermenauta, faz isso igualmente (ver o vídeo!):

O ser humano em questão colocou seu “momento de fraqueza” no YouTube, para ser visto pelo público mais amplo possível. Além disso ela é maior de idade.

Mas eu até concordo contigo que tirar um sarro da menina apenas pelo fun of it é pouco sábio. O que me incomoda, no fundo, é a incrível falta de profundidade de pessoas que teoricamente teriam tudo para não ser assim. E isso não é apenas tiração de sarro, é um convite a uma meditação sobre que tipo de sociedade estamos criando, quando a própria menina que nos diz que quer dar a volta por cima transforma seu pretenso momento de iluminação em apenas mais um produto para consumo audiovisual. Nesse buraco negro, as telinhas se transformam em um horizonte de eventos do qual nem a maior das boas intenções consegue escapar.

Vientosur – Milonga de andar lejos

Ahora comienza un duro, una inexorable viaje en busca de la posibilidad más lejana

64 anos de Hiroshima

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