Morreu de calor, morreu de sede etc.

A jovem de Rondonópolis que morreu de calor no show de Taylor Swift, no Rio de Janeiro, não é apenas uma notícia: é algo sobre o que já sabemos e também um prognóstico do que virá.

A morte facilmente ocasionada é, em primeiro lugar, uma espécie de espelho do que ocorre no Brasil nos últimos anos, e não me refiro ao desleixo do brasileiro para com a violência. Durante a pandemia milhões de pessoas preferiram cair nas lorotas do Whatsapp ao invés de pressionar o governo para que recebêssemos um auxílio emergencial digno (como ocorreu em países avançados). Criava-se o falso dilema entre “liberdade e saúde” para fazer com que as pessoas não se sensibilizassem às contaminações e mortes.

Esse “deixar morrer” generalizado não é nenhuma novidade.

Em segundo lugar, se o brasileiro adora dizer que é empreendedor, esse é mais um daqueles casos do empreendedorismo à brasileira. Ir a um lugar no qual só se pode comprar a água dos organizadores, ou encontrar locais com relações de privilégio é uma marca bem nossa.

Some-se isso tudo ao calor que virá e…

O empreendedor brasileiro

O Jornal da USP nos mostra que a produtividade do brasileiro, uma das mais baixas do mundo, diminuiu em 2022. Trabalhamos muito – demais – e produzimos muito pouco.

E há uma série de indicadores negativos: somos 3% da população mundial, mas representamos só 1% das exportações; exportamos produtos sem maior processamento, via de regra agrícolas; dentre as 2000 empresas mais importantes do mundo, apenas 20 são brasileiras; nossas taxas de transporte estão entre as mais caras do mundo porque o lobby do automóvel acabou com o pouco que tínhamos em ferrovias. E nossa mão de obra tem qualidade baixíssima.

Há uma clara e ampla contradição nisso tudo, tendo visto que o brasileiro adora chamar a si próprio de “empreendedor”.

Mas não é preciso pensar muito para entender o que se passa. “Empreendedor” tem sido utilizado para dar nome a qualquer coisa, até ao escambo. Alguém trocou algo? É empreendedor. Vende bala no sinaleiro? Empreendedor. Montou site no onlyfans? Empreendedor!

Em segundo lugar, basta ver a qualidade dos serviços. O brasileiro importou a informática como todo o resto: fez valer o velho jeitinho brasileiro e as relações de cordialidade sob um verniz tecnológico. Aí é fazer o pedido chique no Ifood para que ele chegue frio, atrasado ou mal feito; é ir ao fast-food do Mc Donalds para pegar fila grande e comida minúscula e cara. É solicitar um serviço e passar a depender dele como se estivéssemos tratando com uma milícia.

A lista é imensa. Lei da oferta e da procura? Ali, os preços sequer são declarados, e o atendente, ao ser perguntado, diz um preço a cada dia e variando a cara do cliente. E assim por diante.

Isso, é claro, quando há concorrência (pois brotam monopólios, oligopólios e cartéis), ou ainda a empresa não recebe algum tipo de ajuda governamental direta ou indireta (imagine a mina de ouro que é ser “empreendedor” da educação movido a bolsas do governo).

Disso tudo, seria muito importante um estudo que comparasse esse verniz de “empreendedor” que o brasileiro se dá com as práticas de empreendedorismo que efetivamente aparecem. Pois o jargão de “empreendedor” rende até resultado político e eleitoral.

Internet Archive acadêmico

O internet archive tem agora um diretório acadêmico, o scholar.archive.org !

A inversão do trabalho assalariado

Harry Braverman tem um daqueles livros – Trabalho e Capital Monopolista – que parecem verdadeiros oráculos do avesso. Já não vivemos mais numa era de capital monopolista (embora há controvérsias!) e o livro é antigo, dos anos 1970, ainda tateando o que poderia ser a revolução informática. Mas para além disso, o livro segue vivo, como descrição importante do mundo do trabalho do século XX, bem como de sua formação.

E nesse sentido, Braverman (1981, p. 55) chama atenção a um processo que ocorria em sua época, mas que é o inverso da nossa e permite que nos entendamos por contraste: o do trabalho assalariado.

Dizia Braverman que já houve venda de força de trabalho por salário desde a antiguidade. Aristóteles, por exemplo (na Política, 1258b 9-38), notara que as formas “naturais” de ficar rico envolviam a criação de animais domésticos e agricultura. Já as formas antinaturais envolviam o comércio e os serviços assalariados nas artes mecânicas e no trabalho físico e não qualificado. Mas jamais houve algo como uma classe trabalhadora, ao menos até o século XIV, movimento que se generaliza nos séculos XIX-XX.

Nos EUA – seguimos com Braverman -, no início do século XIX 80% da população trabalhava por conta própria, número que decaiu para 30% em 1870 e, 100 anos depois, reduziu para 10% da população. Isto é: em um século, o trabalho assalariado tornou-se dominante nos EUA.

O dado é importante porque representa algo que sofre hoje uma reversão radical: o esvaziamento do trabalho assalariado, ou uma espécie de hibridização da força de trabalho que confunde o trabalho por si próprio com a venda da força de trabalho.

Na época de Marx e de Braverman, eles testemunhavam um duplo fenômeno, particularmente visível nas fábricas: o fenômeno de 1) alguém que vendia a própria força de trabalho para outra pessoa, 2) esta que detinha uma espécie de unidade de capital, detentora de vários recursos, dentre eles, os recursos humanos que incluíam as pessoas que vendiam sua força de trabalho. De um lado, haveria o homem, sujeito de sua força de trabalho; de outro, uma força de trabalho objetificada, “reificada” (lembremos que res vem do latim, significando objeto em sentido real).

Quando esses dois polos se unem – o trabalhador e o capitalista – o efeito é poderoso: não se tem um homem que vende sua força de trabalho para alguém que explora o homem como força de trabalho; nessa nossa configuração, o próprio homem já reduziu a si próprio, inteiramente, corpo e alma, à força de trabalho.

BRAVERMAN, Harry. Trabalho e Capital Monopolista. RJ: Zahar, 1981.

Jesus freestile

Quando o Israel começou a atacar os palestinos para revidar o Hamas, rapidamente se espalhou entre certos evangélicos brasileiros um tema: vivenciamos o fim do mundo. Muitos desavisados correram para Bíblias sem notas de rodapé e, por coincidência de palavras, cometeram interpretações freestile para declarar que, mais uma vez, vivemos o fim dos tempos.

Essa onda de interpretações é curiosa por algumas razões. Em primeiro lugar a pandemia, que nos trouxe um dos quatro cavaleiros do apocalipse (a Peste), jamais despertou esse tema nos crentes. O que se via era um negacionismo radical e uma postura muito ativa contra os cuidados pessoais, algo que contribuiu para a Peste ceifar 700 mil vidas. As igrejas, inclusive, tiveram papel absolutamente ativo, ou ao menos aquelas que foram contra as medidas de proteção social (e qual foi a favor?).

Em segundo lugar, essa narrativa sobre o fim dos tempos parece uma variação daquele tema brasileiro de que “político não presta mesmo”. Pois, em política brasileira, todo mundo sabe que o único partido que recebe algum tipo de crítica é o PT. Retirando o papel de Lula e do PT (criticáveis também pelos petistas), em muito a percepção das pessoas sobre a política se divide entre escolher o “meu candidato”, de um lado, e de outro simplesmente não dar a mínima e dizer: “nenhum político presta”. Tudo deixa de ser política e emula os discursos do futebol, pois se trata de escolher ou a minha fé cega em alguém, ou o descrédito do adversário. E é por isso mesmo que, frequentemente, quando o “meu candidato” é pego num esquema de corrupção (algo frequente), sempre sobra a segunda opção, um sonoro “mas político não presta mesmo”. Quem diz isso sabe que a receita funciona, pois se nenhum político presta (embora o meu prestasse até agorinha…), eu não preciso me responsabilizar por ter escolhido errado.

No que isso se parece com a narrativa do “fim do mundo”? É que a postura de negação sempre retira daquele que nega qualquer responsabilidade sobre o que diz ou faz. Declarar que a Bíblia já profetizou a matança na Palestina equivale ao preguiçoso “mas político não presta mesmo”: substituímos a busca dos motivos históricos de um evento para simplesmente tocar um foda-se mais sofisticado. Afinal, dizer que vivenciamos o fim dos tempos faz com que eu não precise buscar as razões envolvendo a Palestina; dizer que “nenhum político presta mesmo” me retira da responsabilidade de votar igual brinco sobre o pavê do fim de ano.

Isso tudo testemunha como vivenciamos hoje as narrativas mais freestile possíveis sobre Jesus, a Igreja e a Bíblia. Parece que qualquer coisa pode ser afirmada, desde que se coloque junto algum palavreado bíblico junto.

O assunto é bem próximo da dita “teologia da prosperidade”, e da moda dos “cultos de primícias”. Hoje há cultos nos quais parecemos estar numa espécie de pirâmide financeira. Fala-se toda hora em dinheiro e bens de ostentação e há relatos de doações mirabolantes seguidas de grandes “graças”. Livros como o de ou passagens como aquela sobre a moeda e César (“a César o que é de César”), ou ainda sobre o escorraçamento dos vendilhões do Templo, ou ainda sobre ser mais fácil um camelo passar por uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus parecem simplesmente ignorados, quando não minimizados ou relativizados (séculos de interpretações e duros debates teológicos são dispensados num tapa). Isso tudo é muito interessante porque os primeiros protestantes, para se protegerem, instauraram contra os católicos grandes debates sobre a fé e as obras. Mas o século XXI substituiu sem atalhos as obras pelo puro e simples dinheiro.

Há um Jesus freestile muito “vivo” circulando por aí, e sequer comentamos sobre aqueles cristãos que defendem a pena de morte ou o armamento. Cria-se igrejas inteiras que parecem mais sucursais de empresas de fundo de quintal do que igrejas propriamente ditas. O linguajar ali dentro é empresarial, e é nesse contexto que os “cultos de primícia” caem como mão e luva. E há também um privilégio concedido ao Velho Testamento e a certa visão de uma Israel branca e ocidentalizada, com símbolos estereotipados, para afastar do crente o imaginário da Igreja Católica (enfraquecido, mas ainda poderoso).

Essas manobras todas acompanham doutrinas cuja profundidade é a de uma poça d’água. Mas a questão mais profunda, aqui, é exatamente essa: a proliferação das igrejas monetizadas e freestile não é uma simples questão de erro de doutrina, e sim de homologia dessas novas igrejas para com as redes sociais, a ascensão da ultradireita e o dito “neoliberalismo” dos tempos atuais.

Começamos a viver um mundo no qual os adultos formaram suas cabeças inteiramente sob a linguagem das redes sociais, mas não só: essas novas gerações também se formaram distantes daquele velho primado da Igreja Católica, muitas vezes vista como distante e sem graça. Isso tudo também diz respeito à desestruturação do mundo do trabalho tal como o conhecíamos no século XX e ao advento de um mundo no qual é “cada um por si e Deus por todos”. Um mundo no qual todo mundo se resume a ser empreendedor de si é também aquele no qual cada um deve achar um mundo para chamar de seu.

Comunidade, Ekklesia? É coisa de comunista. O Jesus que partilhava o pão se transforma num Jesus freestile.

Marx, o liberal e o comunista de Iphone

Sempre que alguém vem com aquela do “comunista de Iphone” eu olho bem para a pessoa e me seguro para não fazer a pergunta: será que ela leu Marx? Ou repete as palavras do WhatsApp, raramente vistas por meio de um Iphone?

Pois já dizia o velho barbudo lá no século XIX, dentre outras:

A nós, comunistas, já acusaram de querer suprimir a propriedade adquirida individualmente pela via do trabalho, aquela propriedade que consistiria a base de toda liberdade, de toda atividade e de toda autonomia pessoal.
Propriedade conquistada, adquirida, resultante de merecimento pessoal! Falam os senhores daquela propriedade do pequeno-burguês ou do pequeno camponês a qual precedeu a propriedade burguesa? Essa não precisamos surpimir, porque o desenvolvimento da indústria já a suprimiu e segue fazendo-o dia após dia.
Ou falam os senhores da moderna propriedade privada burguesa? O trabalho assalariado, o trabalho do proletário, porventura lhe cria propriedade? De jeito nenhum. O que ele cria é o capital – isto é, a propriedade de que o explora e que só pode multiplicar-se à medida que gera mais trabalho assalariado que possa, de novo, explorar. A propriedade, em sua configuração atual, se move pela oposição entre capital e trabalho assalariado.

Marx, Manifesto do Partido Comunista, capítulo “Proletários e Comunistas”

Livros sobre a questão palestina

Dois livros sobre a questão palestina que deveriam ser (re)visitados: Israel’s Occupation, de Neve Gordon, e A Limpeza Étnica da Palestina (The Ethnic Cleansing of Palestine), de Ilan Pappé

Além desses dois livros, há algum tempo também publicamos sobre certo uso dos militares israelenses de referências muito curiosas:

Sobre o último link, há um texto traduzido aqui: A arte da guerra.

Das matanças nas escolas

Este blog já acompanhou, há bastante tempo, a dinâmica de assassinatos em escolas nos EUA e o que ocorria no Brasil (tais como ônibus 174 e caso Eloá, ver isso também). Dizíamos: os casos eram diferentes, o Brasil tem especificidades próprias.

E os recentes casos, dos assassinatos em Blumenau e São Paulo, talvez mostrem que algo tenha mudado.

Em primeiro lugar, pelo método: enquanto nos EUA os espetáculos são tramados com armas de fogo, no Brasil parece que qualquer arma branca já serve de subterfúgio. Isso é muito mais perigoso e mostra certo estado de coisas nos quais estamos.

Em segundo lugar, salta aos olhos a imitação das matanças americanas, mas “à brasileira”: é como se o Brasil tivesse nos EUA um quê daquilo que os psicanalistas chamam de “ideal do ego”, a projeção de um modelo ao qual o brasileiro não deixa de se comparar quando pensa em suas melhores formas de vida. E a projeção do modelo americano é o que mostra como as coisas vão mal por aqui: não se trata da projeção dos ideais americanos, ligados à democracia moderna e ao valor do indivíduo, e sim de uma espécie de imitação em acting-out de certos eventos que ocorrem por lá, embora imitação à brasileira, com os recursos daqui e sob as mazelas daqui – uso de machados e facas ao invés de armas de fogo, invasão de escolas precarizadas, e nas quais os funcionários, já abandonados à própria sorte, presenciam mais um espetáculo mórbido e amalucado.

Mas em terceiro lugar, essas matanças não são mais parecidas com eventos passados que também chocaram o país. Os invasores das escolas não são pessoas que sofrem os padecimentos dos problemas sociais brasileiros, mas pessoas já anteriormente suscetíveis, pegas agora por narrativas paranóicas, tais como as da ultradireita e do bolsonarismo.

A criação de um clima de constante conflito e desconfiança para com o alheio, sob ameaças, transformação de discordantes em desafetos e discursos conspiracionistas de ultradireita, é o que faz com que as antenas de qualquer pessoa perturbada passem a ficar super-excitadas, e eventos como esses que presenciamos, mais prováveis.

O início da prisão não-especial

O STF decretou o fim da prisão especial, embora não para todo mundo. Aquelas imagens recentes do juiz batendo na mulher, por exemplo, não renderão a juízes um tratamento “não-especial”.

Mas no fundo, o que salta aos olhos é, ao lado dessa manutenção de certos privilégios, o punitivismo de fundo contra o brasileiro não privilegiado. Pois a luta é a de acabar com a prisão especial de quem teve ensino superior. Não é, portanto, a de melhorar a prisão de quem não o teve.

E ponto final, vamos para casa com a consciência tranquila.

O episódio não deixa de ter coincidências com o jeitinho brasileiro de ver as manifestações na França contra a reforma da previdência. Por lá, à esquerda e à direita os franceses vão às ruas para impedir o aumento do intervalo da aposentadoria em 2 anos. Aqui, não fizemos nada para impedir a nossa, cujas consequências serão terríveis no futuro.

Elegemos outro presidente, mas pelo jeito ainda não conseguimos olhar para a frente em relação a nós mesmos e nossa história.

Orar gritando nada tem a ver com religião

A cena é frequente. Você está no ônibus, na igreja, num banco da praça, em qualquer lugar, e de repente um analfabeto da era digital saca o celular e atende em viva voz, ouve aquele áudio esperto do zap, mostra um vídeo sem baixar o volume, fingindo não saber que existe fone de ouvido.

E não importa o assunto. Pode ser a avó recebendo a chamada da neta que conta – chocando o ônibus inteiro – que acabara de ter um aborto. Pode ser a mulher comentando sobre o parente assassinado ou o agiota que começa a ameaçar. Pode ser, ainda, algum outro tipo de canalha, comentando em voz alta que “ou você é malandro ou é mané; e eu não sou mané, sacou?”

Não é preciso evocar exemplos, pois o leitor deve conhecer muitos mais. Aliás, sabe também que essa importunação alheia não se resume ao celular.

E é bem essa mania fazer algo que importune sempre as outras pessoas a essência dessas “orações” coletivas que estão invadindo mercados e shoppings no Rio de Janeiro.

De oração, a coisa não possui nada. Quem ora, ora para Deus e o mundo, mas isso não significa gritar. Ninguém pretende ter paz arrancando o outro de seu estado de paz, especialmente quando o nome de Deus está em jogo (e isso inclusive tem um nome no cristianismo: o pecado de dizer o nome de Deus em vão).

Por isso é bem outra coisa o que está em jogo nessas orações. O nome de Deus – dito em vão – é ali o álibi perfeito. Afinal, quem seria contra Deus, senão aqueles que se opõem a ele? Assim eu posso atochar o nome divino onde eu quiser, inclusive numa gritaria, bastando apontar o dedo para aquele que discorde de mim.

O ardil não é perfeito? Posso disfarçar coisas verdadeiramente mundanas sob o nome de Deus! Posso, inclusive, alimentar a política fascista do “nós contra eles”, promovida agora como uma luta entre o Céu e o inferno. Eu, representante dos céus, consisto em tornar a vida do outro um inferno.

Em termos religiosos, cria-se diariamente um anticristo que nada tem a ver com Evangelho, e sim com cultura da malandragem. Em termos políticos, pinta-se a cultura da malandragem com um verniz evangélico para alimentar a política de ódio.

De um lado, isso nada difere daquele povo que orava nos quartéis para que ocorra um golpe militar, que o presidente eleito democraticamente seja deposto e que os discordantes sejam vistos como inimigos para que fossem perseguidos. De outro, e mais profundamente, a reza nada faz senão parte da cultura do homem cordial, da malandragem. E como tal, também se presta para projetos de poder à brasileira.